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O texto de Boaventura de Sousa Santos é cronológico, traça uma linha que vai da modernidade à contemporaneidade, fala de ‘’Adam Smith e Ricardo a Lavoisier a Darwin, de Marx e Durkheim a Max Weber e Pareto, de Humboldt e Plank a Poincaré e Einstein (...)’’ Pensadores que de certa forma esculpiram a estátua modelo da racionalidade que hoje chamamos de ciência. Logo, a afirmação da não-participação da mulher nessa ciência recusa toda e qualquer refutação.
A ciência começou a ser lapidada no século XVI, o mesmo que desvalorizou as mulheres tendo a igreja como sua principal influência. Acusadas de terem provocado a ‘’queda’’ do pecado original e de tentarem os homens para cederem ao pecado, elas ficaram sobre a intendência dos pais e depois do marido, aprisionadas no seio familiar. O nascer da mulher foi desígnio de submissão.
As solteiras, jovens viúvas, curandeiras, amantes de cônegos e aquelas que recusaram essa cadeia patriarcal foram atiçadas ao fogo no movimento caça as bruxas da Idade Moderna. Isso quer dizer que são quatro séculos de repressão. Aquelas que tiveram acesso ao conhecimento foram poucas e raras.
Em suma, vale refletir e perguntar se a produção do conhecimento vindo de mulheres foi tão pequena que não merece teses e estudos, ou se foi sufocada pelos padrões machistas-patriarcais que não tiveram oportunidade de publicar ou mesmo de questionar sobre o assunto com medo da fogueira.

