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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Os bons costumes

   
O conservadorismo cristão da igreja católica entrou em colapso no último domingo 26 de junho. Nesse dia ocorreu em São Paulo, na Avenida Paulista, a ‘’parada do orgulho LGBT ‘’já em seu décimo quinto aniversário. O grande problema ocorreu devido à temática utilizada pelos organizadores advertindo sobre os riscos da AIDS, nesse ano foram usadas imagens de santos representantes de crenças católicas com o bordão ‘’ Nem santo te protege’’ e ‘’Use camisinha’’.
    A repercussão causou uma tormenta aos órgãos religiosos, os quais acusam a representação da parada como insulto à tradição da igreja.
   Não é de hoje que a parada do orgulho gay movimenta as organizações conservadoras. O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB- RJ), também representante da igreja comunidade sara nossa terra não só é contra, mas é junto do também evangélico Carlos Apolinário (DEM) um dos principais membros que apóiam a criação do Dia do Orgulho Heterossexual, esta que, segundo ele deverá ser mantida pelo estado a fim de valorizar os ‘’bons costumes’’.
   Quais são esses? Talvez o tradicionalismo de sempre – religioso, honesto e trabalhador – os mesmos que [não] nos fartamos ao acompanhar diariamente pelos meios de comunicação.

 Tiraram Jesus da Paulista, mas deixaram os gays” – Carlos Apolinário

   São comentários como esses, dos representantes de uma ‘’classe’’ que ganha mais peso na política brasileira, que fortalecem as linhas do preconceito que tanto tentamos cortar.


Auxílio de texto :www. vejaspabril.com.br
                       

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Prós e Contras: Globalização

Um encontro com Milton Santos:
‘’A partir de uma entrevista feita com o geógrafo Milton Santos em 4 de janeiro de 2001 é discutido o tema da globalização e seus efeitos nos países e cidades do planeta.’’ E por suas idéias e práticas, inspira o debate sobre a sociedade e a construção de um novo mundo.


Informações Técnicas
Título no Brasil:  Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá
Título Original:  Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá
País de Origem:  Brasil
Gênero:  Documentário
Tempo de Duração: 89 minutos
Ano de Lançamento:  2006
Estréia no Brasil: 17/08/2007
Site Oficial:  
Estúdio/Distrib.:  Caliban Produções
Direção:  
Silvio Tendler

A globalização vista por um geógrafo, exilado que retorna ao Brasil a caminho do reconhecimento.

‘’Centros urbanos modernos não destroem a experiência humana. O que a destrói é a civilização que adotamos. ’’ – Milton Santos

terça-feira, 14 de junho de 2011

Qual a paz?


Num debate quando se pergunta o que é paz as respostas admitem várias posições e opiniões, contudo no ápice de qualquer debate sobre essa temática,  entra uma de suas variações - a Segurança – e sobre isso há uma concordância plena e absoluta de todas as partes – A falta dela faz com que nos amedrontemos cada dia mais.

Os paulistanos estão perdendo o hábito de andar pelas ruas, hoje o seguro é sair de casa e - táxi! shopping ou qualquer outro programa e –táxi! Isso quer dizer que muita gente se priva de andar pela cidade devido ao medo do perigo sempre próximo e tão presente.

A onipresença do medo na vida dos cidadãos principalmente das grandes cidades, faz com que tenham um papel de presidiário às avessas, visto que, quem vive em lugares delimitados, casa, trabalho e o mesmo e monótono programa de final de semana é o próprio cidadão quando se tranca com chaves, cadeados e  permanecem entre grades.  E ainda tem a petulância de chamar essa semi-cadeia de’’ Lar, doce lar’’.

Alguns mascaram esse medo, outros não vivem como deveriam por conta disso. Até quando? No âmbito da política a melhora da segurança é um dos temas mais prometidos dos candidatos, -além de maiores investimentos na área de educação e abatimento da taxa tributária- temas e promessas que até agora, se melhorou precisamos de uma Lupa de investigador profissional para enxergar. Governos vão e vem e o perigo nada mais é que um sujeito que mora ali perto, vizinho das nossas próprias grades.


"Em um ano de ocupação no Iraque, morreram 1 000 soldados americanos. No mesmo período, 5 000 pessoas foram assassinadas em São Paulo. Quer dizer, é mais seguro andar fantasiado de soldado americano em Bagdá do que andar em São Paulo."
Paulo Maluf – ex -prefeito de São Paulo

http://www.youtube.com/watch?v=vF1Ad3hrdzY

Seminário

Imagem: Recorte em: http://flogvip.net/

A ciência moderna foi esculpida, como um mármore ainda em pedra por estudiosos brilhantes que viveram principalmente na primeira metade do século XVI. Esse mármore foi sendo trabalhado e virou escultura, uma arte.  
A qual inspirou em uma série de novas artes, assim como temos atualmente as nossas ciências que são inúmeras dentre as suas divisões. 
Uma parcela pequena de pessoas moldou essa ciência mas será que as mentes brilhantes se situam apenas numa restrita parcela de homens brancos e de poder aquisitivo? 
Existiu um domínio de pequenos grupos que conseguiram difundir o ideário da ciência. E a difusão ocorreu entre esse restrito grupo ao qual todo o conhecimento foi direcionado, e que podemos chamar de ‘’Proprietários do Saber’’, que limitavam a esfera da sabedoria para exatamente quem se adequasse aos perfis acima citados. Talvez se julgassem superiores e únicos capazes de entender, absorver e direcionar o conhecimento. 
Quem esteve fora do âmbito desse tentou reivindicar seu direito ao conhecimento e também espaço,  e a história nos mostra que os finais felizes são poucos. As mentes brilhantes existem independente de qualquer adjetivo externo, o que lhes faltaram foram oportunidades. 
Um exemplo de brilho fora do paradigma de intelectuais que esculpiram a ciência. 
Christine de Pizan nasceu em Veneza em 1364 e morreu em Poissy, cidade francesa em 1430. Foi filósofa e escritora, suas obras abordam inúmeros assuntos, que vão da política às paixões humanas. 
Principais Obras:  Lettre à Isabeau de Bavière – manifesto de voz às mulheres 
                        - Le Livre de Paix – tratado que diz a forma correta de se educar um príncipe, no princípio de honestidade 
Cito aqui outro exemplo de mente brilhante excluída pela sociedade de sua época. 
Cruz e Sousa nasceu em Florianópolis, em 1861 e morreu em 1898. Filho de escravos alforriados foi um dos precursores do simbolismo no Brasil, apesar de livre recebeu a tutela do seu ex-senhor e também uma educação refinada. 
Em 1883, foi recusado como promotor de Laguna - cidade catarinense - pelo fato de ser negro. E embora quase metade da população brasileira seja não-branca, poucos foram os escritores negros, mulatos ou indígenas. 
Os trabalhos daqueles que não se enquadravam na tradição branca, masculina e nobre não foram difundidos por uma questão cultural que restringe seres humanos a especificações – raça, gênero, ideologia , posição política e afins-. 
A humanidade perdeu supostos talentos brilhos, devido a esse processo restrito. Tomemos por exemplo além dos excluídos, a quantidade de livros queimados na idade média, moderna e contemporânea devido à intolerância a novos estudos, povos e ao medo de ter sua superioridade abalada.  
O Paradigma ciência é também o de exclusão, de intolerância, opressão que destinou a humanidade para a autodestruição. 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Eles têm armas de destruição e jazidas de petróleo – Enforquem as cabeças!




   Após a guerra contra o Afeganistão, os Estados Unidos começaram a intensificar uma série de críticas ao Iraque – dos maiores produtores de petróleo do Oriente Médio - ao afirmarem que esse país era uma ameaça à paz mundial, enfatizando a ameaça devido ao suposto estoque iraquiano de armas de destruição em massa, além da acusação de seu governo ter parte com grupos terroristas.

    A invasão iniciou-se em 2003 e a priori o intuito era de procurar as tais armas e dissolver os grupos terroristas (que nunca tiveram apoio do governo, visto que o Iraque tinha como governante um sunita, e a maior parte dos grupos terroristas são xiitas), após um ano de ocupação, as suposições norte-americanas não foram comprovadas.

   Será então que as armas de destruição em massa deram lugar ao controle militar americano e à ambição exacerbada de um governo a fim de favorecer empresas nacionais nos setores petrolíferos e de construção civil, ampliando sua influência no Oriente médio?



   Vendeu-se a utopia de uma guerra pela paz, ocorreu então uma lavagem cerebral nos cidadãos amedrontados com os terrorismos que protagonizaram anteriormente, e assim de forma direta apoiou o governo a gastar 450 milhões de dólares diários com a ocupação, enquanto boa parte de seus conterrâneos vive sem assistência médica, sem trabalho e sem acesso à educação.

   Cerca de 300 milhões pares de olhos foram vendados por pequenos grupos com um fortíssimo poder de persuasão e extrema vontade de controle econômico. Assim conseguiram vender que o sofrimento de outra nação é de interesse de um país que tem uma população superior a tantas outras. – Isso já ocorreu, ou apenas impressão passageira? 

   Uma nação inteira persuadida pelo sistema controlador de bancários, companhia de seguros, corporativas nacionais que não visa outra coisa, se não o lucro, com a mortedestruição de outrém e com a alienação do seu próprio país.


"Havia Saddam e as armas de destruição em massa, mas por trás de tudo estava um país sedento de petróleo, que não tem perspectiva de reduzir seu consumo."
Hans Blix - chefe da Comissão de Monitoramento, Verificação e Inspeção da ONU

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Da fogueira à submissão: A mínima participação da mulher como molde da ciência moderna. Parte I



Durante muito tempo as mulheres estiveram ausentes no mundo da ciência, entretanto essa carência não diz respeito à falta de produtividade ou mesmo ignorância delas sobre as ciências naturais e sociais. Sua ausência constitui-se por uma série de fatores sociais, políticos e religiosos.

O texto de Boaventura de Sousa Santos é cronológico, traça uma linha que vai da modernidade à contemporaneidade, fala de ‘’Adam Smith e Ricardo a Lavoisier a Darwin, de Marx e Durkheim a Max Weber e Pareto, de Humboldt e Plank a Poincaré e Einstein (...)’’ Pensadores que de certa forma esculpiram a estátua modelo da racionalidade que hoje chamamos de ciência. Logo, a afirmação da não-participação da mulher nessa ciência recusa toda e qualquer refutação.

A ciência começou a ser lapidada no século XVI, o mesmo que desvalorizou as mulheres tendo a igreja como sua principal influência. Acusadas de terem provocado a ‘’queda’’ do pecado original e de tentarem os homens para cederem ao pecado, elas ficaram sobre a intendência dos pais e depois do marido, aprisionadas no seio familiar.  O nascer da mulher foi desígnio de submissão.

As solteiras, jovens viúvas, curandeiras, amantes de cônegos e aquelas que recusaram essa cadeia patriarcal foram atiçadas ao fogo no movimento caça as bruxas da Idade Moderna. Isso quer dizer que são quatro séculos de repressão. Aquelas que tiveram acesso ao conhecimento foram poucas e raras.

Em suma, vale refletir e perguntar se a produção do conhecimento vindo de mulheres foi tão pequena que não merece teses e estudos, ou se foi sufocada pelos padrões machistas-patriarcais que não tiveram oportunidade de publicar ou mesmo de questionar sobre o assunto com medo da fogueira.

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