terça-feira, 31 de maio de 2011

Evolução? - Parte II

Imagem: Banksy


"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro." Mário Quintana


"Nenhuma espécie tem garantido o seu lugar neste planeta. E estamos aqui há apenas 1 milhão de anos, nós, a primeira espécie que projetou os meios para a sua autodestruição. Somos raros e preciosos porque estamos vivos, porque podemos pensar dentro de nossas possibilidades. Temos o privilégio de influenciar e talvez controlar o nosso futuro. Acredito que temos a obrigação de lutar pela vida na Terra - não apenas por nós mesmos, mas por todos aqueles, humanos e de outras espécies, que vieram antes de nós e a quem devemos favores, e por todos aqueles que, se formos inteligentes, virão depois de nós. Não há nenhuma causa mais urgente, nenhuma tarefa mais apropriada do que proteger o futuro de nossa espécie. Quase todos os nossos problemas são provocados pelos humanos e podem ser resolvidos pelos humanos." Bilhões e Bilhões, Carl Sagan


Seguimos nossos dias como se fôssemos viver para sempre, acumulando bens e dinheiro ao custo de uma biodiversidade que se degrada a cada instante. Afogados em nosso próprio orgulho e avareza, nos deixamos até mesmo sermos enganados por aqueles que através de nosso voto, tem o papel de garantir melhores condições para toda uma nação. Nos contentamos com nosso pão de cesta-básica, nosso circo-futebol, e assim, caminhamos, fingindo uma suposta felicidade que sabemos não possuir, e consumimos desregradamente, numa vã tentativa de alcançar essa felicidade tão "intocável". Invertemos valores e nos julgamos modernos, tecnológicos, pós-revolução-industrial. Criatividade agora, tem preço. Música, poesia, verso, estão presos em cifrão. Talento é traduzido em cédula, um sorriso vale um ingresso, e a arte teve de render às duras margens da matemática.
Há volta no caminho que tomamos, na rígida ditadura da beleza, da felicidade (sem direito a erros, quedas, aprendizado, vitória à qualquer custo, prozac para os dias difíceis), do consumo exarcebado, da inversão de valores, da alienação massificante, da "globalização" que transforma seres humanos em índices e números, e do empobrecimento moral humano? Talvez.
Dessa forma, a única opção que temos é buscar por um possível futuro melhor, por uma possível reeducação, por uma possível cura do mundo em que vivemos. Ou ele próprio se encarregará de eliminar sua maior ameaça: o ser humano.


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Como enriquecimento cultural, assita agora um vídeo interessantíssimo e imperdível do escritor Ernest Cline, "Dance, Monkeys, Dance!"
 


E veja um vídeo "amador" da música "Admirável Gado Novo", do cantor Zé Ramalho:

Evolução?

Imagem: Banksy

"O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação." Oscar Wilde


Os anos passam, as cidades crescem e se desenvolvem, novas tecnologias são criadas e substituídas por outras antes mesmo que saibamos como utilizar a antecessora, novas drogas farmacêuticas são desenvolvidas e qualquer vazio dentro de um ser humano pode ser suprido por comprimidos e compras. Será mesmo?
Cerca de mais de um milhão de pessoas ao redor do mundo cometem suícidio todo ano, e além disso, cerca de 15 a 20% da população mundial sofre de depressão. Que evolução é essa em que o ser humano se encontra? Que evolução é essa que o ser humano conseguiu?
Ao custo de desmatamento de florestas, conseguimos móveis luxuosos e o churrasco de todo final de semana. Ao custo de extinção de espécies, conseguimos animais empalhados podendo ser ostentados em nossas salas, casacos de pele aquecendo nossos invernos. Ao custo da fome de 1 bilhão de pessoas no mundo, uma pequena parcela pode se enriquecer e viver tranquilamente em mansões. Quanto tempo mais é necessário para se compreender que na contramarcha dessa evolução consequências nefastas serão ocasionadas?
Tentamos etiquetar o que não possui medidas de valor, engarrafamos essências e valores, e vendemo-nos a troco de fama e um suposto poder. Endeusamos marcas e outdoors, e o verdadeiro sentido de nossos dias se perdeu. Tentamos nos encaixar, tentamos sobreviver, nos julgamos inteligentes, racionais, sagazes, a última esfera da evolução, e assim, conseguimos destruir o mundo ao nosso redor. Nos enclausulamos em um mundo de esterótipos e produtos, rótulos e hipocrisia. Nos submetemos à ser controlados e monitorados a cada instante e ainda mais - queremos e gostamos disso. Tudo nisso numa vã tentativa de busca de uma suposta felicidade. Objetivos se perdem e a ganância assume o controle. Mas até quando? Até quando o planeta suportará um domínio exarcebado e desregrado nas mãos de poucos, enquanto muitos necessitam do mínimo?
A industrialização trouxe à longo prazo maior lucro e riqueza para alguns, porém, em contra partida, nos massificou e vendeu como produtos. Temos nossas características avaliadas tal como funções de um aparelho, e nós não aprendemos a nos tornar máquinas, mas ainda assim, nos deixamos alienar conscientemente, e ficamos felizes com nosso sono e estupidez eternos. Fechamos nossos olhos para aquilo que não queremos ver, os problemas ao nosso redor, no mundo, no nosso país, estado, cidade, rua. Nos auto-declamamos verdadeiros heróis quando praticamos uma pequena ação de "caridade" e assim nos sentimos melhores, e suprimos o grande vazio existencial que nos acompanha. Assim, nada me resta se não concordar com a própria Morte, em "A Menina Que Roubava Livros" de Markus Zusak, ao afirmar: "Os seres humanos me assombram."




"O macaco é um animal demasiado simpático para que o homem descenda dele." Friedrich Nietzsche


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Como complemento, assista os seguintes vídeos:

"Evolution" da banda Korn. Para saber a letra, clique aqui.
 
 
"Do The Evolution" da banda Pearl Jam. Para saber a letra, clique aqui.
  

"A Metamorfose ou Os Insetos Interiores..." da banda O Teatro Mágico. Para saber a letra, clique aqui.
 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Eles têm armas de destruição e jazidas de petróleo – Enforquem as cabeças!




   Após a guerra contra o Afeganistão, os Estados Unidos começaram a intensificar uma série de críticas ao Iraque – dos maiores produtores de petróleo do Oriente Médio - ao afirmarem que esse país era uma ameaça à paz mundial, enfatizando a ameaça devido ao suposto estoque iraquiano de armas de destruição em massa, além da acusação de seu governo ter parte com grupos terroristas.

    A invasão iniciou-se em 2003 e a priori o intuito era de procurar as tais armas e dissolver os grupos terroristas (que nunca tiveram apoio do governo, visto que o Iraque tinha como governante um sunita, e a maior parte dos grupos terroristas são xiitas), após um ano de ocupação, as suposições norte-americanas não foram comprovadas.

   Será então que as armas de destruição em massa deram lugar ao controle militar americano e à ambição exacerbada de um governo a fim de favorecer empresas nacionais nos setores petrolíferos e de construção civil, ampliando sua influência no Oriente médio?



   Vendeu-se a utopia de uma guerra pela paz, ocorreu então uma lavagem cerebral nos cidadãos amedrontados com os terrorismos que protagonizaram anteriormente, e assim de forma direta apoiou o governo a gastar 450 milhões de dólares diários com a ocupação, enquanto boa parte de seus conterrâneos vive sem assistência médica, sem trabalho e sem acesso à educação.

   Cerca de 300 milhões pares de olhos foram vendados por pequenos grupos com um fortíssimo poder de persuasão e extrema vontade de controle econômico. Assim conseguiram vender que o sofrimento de outra nação é de interesse de um país que tem uma população superior a tantas outras. – Isso já ocorreu, ou apenas impressão passageira? 

   Uma nação inteira persuadida pelo sistema controlador de bancários, companhia de seguros, corporativas nacionais que não visa outra coisa, se não o lucro, com a mortedestruição de outrém e com a alienação do seu próprio país.


"Havia Saddam e as armas de destruição em massa, mas por trás de tudo estava um país sedento de petróleo, que não tem perspectiva de reduzir seu consumo."
Hans Blix - chefe da Comissão de Monitoramento, Verificação e Inspeção da ONU

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Pequenos Grandes Feitos Alardeados, Realizados (Ou Não) Por (Pseudo) Celebridades de Ego Inflado - Parte II


"A televisão me deixou burro, muito burro demais, agora todas coisas que eu penso me parecem iguais." Titãs


Em nosso atual cotidiano, o uso de televisão e rádio, entre outros diversos meios de comunicação em massa, se tornaram usuais e a imprensa transmite o que quer, vê e ouve quem quiser. Mas cabe a qualquer cidadão consciente averiguar até que ponto a utilização desses meios é benigna e informativa, e quando ela passa a se tornar controladora, influenciadora e até mesmo imparcial.
Em outubro de 2009, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, alegou: "Não acho que o papel da imprensa é fiscalizar. É informar. Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União, a Corregedoria Geral da República, tem um monte de coisas. A imprensa tem de ser o grande órgão informador da opinião pública. Essa informação pode ser de elogios, de denúncias sobre o governo, de outros assuntos. A única coisa que peço a Deus é que a imprensa informe, da maneira mais isenta possível, e as posições políticas sejam colocadas nos editoriais." 
Deixando de lado aqui qualquer debate político-ideológico, e sabendo o quanto a citação acima foi fortemente condenada por uns, e apoiada por outros, cabe a nós a reflexão de até que ponto o brasileiro realmente necessita receber as informações que lhe são passadas, e de que forma essas informações são passadas.
Já não é novidade para ninguém o poder que as palavras possuem, e o quanto se pode mudar muitas coisas através delas. Palavras podem direcionar opiniões, a partir do momento em que mostram uma "história única" [para mais, ver: http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html] pois assim, muitas outras informações se perdem, e apenas um lado da moeda é visto, de modo completamente imparcial.
Então, até que ponto o que é visto na televisão, jornais, revistas e rádios é imparcial? Até que ponto estão direcionando-nos a pensar de determinada forma, tendo nossa liberdade de opinião castrada, condicionando-os a pensar da forma que é conveniente aos responsáveis pelo meio, e limitando nosso conhecimento e informação?
O casamento do príncipe Willian é realmente tão importante assim, para nós brasileiros, a ponto de ser mostrado até a exaustidão? Casamentos de pessoas comuns também recebem tal atenção? Casos isolados de mortes e tragédias às vezes recebem tanta importância que o próprio público se cansa de ouvir sobre, por exemplo, o caso de Isabela Nardoni. Mas e os outros casos de crianças e adolescentes que desaparecem e/ou são assassinadas brutalmente por familiares ou não, todos os dias?
Cabe então, a qualquer leitor e telespectador, ser exigente com a informação que recebe, buscando sempre a "mídia menos parcial possível", e não deixar seus pensamentos serem amputados da liberdade de escolher o que para cada um é "certo" ou "errado, quem são os "mocinhos" e quem são os "vilões", ou seja, construir nossa própria opinião, pois só assim poderemos ser críticos e também servir de exemplo aos mais jovens, para assim, imiscuíndo-se as gerações, formarmos uma nação muito mais consciente dos seus verdadeiros problemas e de suas possíveis soluções.


"Educai as crianças de hoje para não punir os homens de amanhã." Pitágoras




Para completar os temas abordados no texto, segue o vídeo "amador" da música Xanéu N° 5, d'O Teatro Mágico. Vale a pena conferir e comentar!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Paradoxo da WEB

Imagem: Chappatte

Com pouco mais de duas décadas de criação, a WEB (World Wide Web, traduzido para o português como "Rede de alcance mundial") possibilitou diversas facilidades para toda a população mundial. Agora, todos estão conectados a tudo. Inúmeros sites de relacionamento foram criados, desde orkut, twitter, facebook, tumblr, formspring, entre uma infinidade de outros, e até mesmo o meio que você, leitor, está utilizando agora, o blogger.

Dessa forma, se tornou muito fácil saber quem está fazendo o quê, de que forma, e por que. Isso devido ao fato das próprias pessoas divulgarem essas informações. Além disso, esses canais são utilizados muitas vezes por empresas e responsáveis por concursos, como uma espécie de "critério" para saber mais sobre a pessoa.

Mas além de trazer quem está longe para mais perto, a internet acabou por distanciar aqueles que estão perto. Se tornou perfeitamente comum em uma empresa funcionários que sentam lado a lado utilizarem-se de e-mails, seja para conversar, seja para "oficializar" algo. Além disso, as pessoas agora pensam duas vezes antes de telefonar para alguém. É muito mais simples enviar um e-mail, "scrap", etc.

Contudo, o "problema" não pára aí. A internet além de nos despir de grande parte de nossa privacidade, também pode armazenar as informações que obteve sobre quem a utiliza, ou seja - eu, você, e mais cerca de 1,96 bilhões de pessoas no mundo. Isso pode não parecer nada sério. Mas, você já reparou que quase sempre, os anúncios em qualquer site que são coordenados pelo Google, parecem realmente serem interessantes para você? 

O controle da internet pode parecer (ainda) pequeno ou despreocupante para alguns, porém, não podemos esquecer que tudo isso aconteceu em pouco mais de duas décadas. O que acontecerá nas próximas? Já existem vírus de todos os tipos, que roubam senhas em banco, criam arquivos trazendo lentidão para o sistema, e até mesmo que fazem o computador receber comandos externos. Tudo isso associado a tanta informação particular na rede. Além disso, existem as próprias pessoas que se aproveitam da internet para sequestrarem e abusarem de crianças e jovens, para a prática do bullying, entre uma infinidade de fatores. 

Assim, a internet hoje se tornou um paradoxo que deve ser analisado e principalmente utilizado com muito cuidado, podendo sempre trazer facilidades para nosso cotidiano, mas também podendo trazer consequências nefastas.

Pequenos Grandes Feitos Alardeados, Realizados (Ou Não) Por (Pseudo) Celebridades de Ego Inflado - Parte I



“A morte de um é uma tragédia, mas a morte de milhões é apenas uma estatística.” Marilyn Manson


Estamos nos aproximando da metade do ano de 2011, e diversos fatos já ocorreram e foram lembrados nesse ano. Desde o recente caso da “morte” de Osama Bin Laden, até a recordação da morte de Isabela Nardoni (como se o caso não tivesse sido mostrado até a exaustão), bem como o “massacre” que em que um homem tirou a vida de 12 crianças no Rio de Janeiro.

Mas seriam somente essas as tragédias que ocorrem no mundo inteiro, ou até mesmo, em nosso país?

A televisão, entre tantos outros meios de comunicação, tem o grandioso poder de direcionar a atenção de milhões de espectadores para um determinado assunto, mas será que possuímos discernimento até que ponto para avaliarmos o que realmente é interessante e enriquecedor, e aquilo que não passa de dramatização em cima de fatos isolados?

O importante não é deixar de lado os acontecimentos que são apresentados a nós, mas sim entender que os “problemas” vão muito além daquilo que está sendo mostrado. Crianças são assassinadas pelos pais quase todos os dias, isso sem contar as crianças que morrem devido à criminalidade, prostituição, lares desestruturados, fome, entre tantos outros problemas sociais. Mas isso é só o começo. Ainda há toda a questão dos conflitos políticos e religiosos, em que pessoas morrem e matam em nome de um deus.

Cabe então, a cada um, a reflexão sobre até que ponto permitimos que a televisão e a mídia em geral influencie em nossa opinião e em nossos valores, e principalmente o quanto ela nos vendará para algumas questões de grande importância que, por algum motivo, não serão transmitidos, e é nesse ponto em que a responsabilidade individual por enxergar além assume um papel ainda mais forte.


“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”
Martin Luther King

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