Imagem: Banksy
"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro." Mário Quintana
"Nenhuma espécie tem garantido o seu lugar neste planeta. E estamos aqui há apenas 1 milhão de anos, nós, a primeira espécie que projetou os meios para a sua autodestruição. Somos raros e preciosos porque estamos vivos, porque podemos pensar dentro de nossas possibilidades. Temos o privilégio de influenciar e talvez controlar o nosso futuro. Acredito que temos a obrigação de lutar pela vida na Terra - não apenas por nós mesmos, mas por todos aqueles, humanos e de outras espécies, que vieram antes de nós e a quem devemos favores, e por todos aqueles que, se formos inteligentes, virão depois de nós. Não há nenhuma causa mais urgente, nenhuma tarefa mais apropriada do que proteger o futuro de nossa espécie. Quase todos os nossos problemas são provocados pelos humanos e podem ser resolvidos pelos humanos." Bilhões e Bilhões, Carl Sagan
Seguimos nossos dias como se fôssemos viver para sempre, acumulando bens e dinheiro ao custo de uma biodiversidade que se degrada a cada instante. Afogados em nosso próprio orgulho e avareza, nos deixamos até mesmo sermos enganados por aqueles que através de nosso voto, tem o papel de garantir melhores condições para toda uma nação. Nos contentamos com nosso pão de cesta-básica, nosso circo-futebol, e assim, caminhamos, fingindo uma suposta felicidade que sabemos não possuir, e consumimos desregradamente, numa vã tentativa de alcançar essa felicidade tão "intocável". Invertemos valores e nos julgamos modernos, tecnológicos, pós-revolução-industrial. Criatividade agora, tem preço. Música, poesia, verso, estão presos em cifrão. Talento é traduzido em cédula, um sorriso vale um ingresso, e a arte teve de render às duras margens da matemática.
Há volta no caminho que tomamos, na rígida ditadura da beleza, da felicidade (sem direito a erros, quedas, aprendizado, vitória à qualquer custo, prozac para os dias difíceis), do consumo exarcebado, da inversão de valores, da alienação massificante, da "globalização" que transforma seres humanos em índices e números, e do empobrecimento moral humano? Talvez.
Dessa forma, a única opção que temos é buscar por um possível futuro melhor, por uma possível reeducação, por uma possível cura do mundo em que vivemos. Ou ele próprio se encarregará de eliminar sua maior ameaça: o ser humano.
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Como enriquecimento cultural, assita agora um vídeo interessantíssimo e imperdível do escritor Ernest Cline, "Dance, Monkeys, Dance!"
E veja um vídeo "amador" da música "Admirável Gado Novo", do cantor Zé Ramalho:





