Imagem: Banksy
"O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação." Oscar Wilde
Os anos passam, as cidades crescem e se desenvolvem, novas tecnologias são criadas e substituídas por outras antes mesmo que saibamos como utilizar a antecessora, novas drogas farmacêuticas são desenvolvidas e qualquer vazio dentro de um ser humano pode ser suprido por comprimidos e compras. Será mesmo?
Cerca de mais de um milhão de pessoas ao redor do mundo cometem suícidio todo ano, e além disso, cerca de 15 a 20% da população mundial sofre de depressão. Que evolução é essa em que o ser humano se encontra? Que evolução é essa que o ser humano conseguiu?
Ao custo de desmatamento de florestas, conseguimos móveis luxuosos e o churrasco de todo final de semana. Ao custo de extinção de espécies, conseguimos animais empalhados podendo ser ostentados em nossas salas, casacos de pele aquecendo nossos invernos. Ao custo da fome de 1 bilhão de pessoas no mundo, uma pequena parcela pode se enriquecer e viver tranquilamente em mansões. Quanto tempo mais é necessário para se compreender que na contramarcha dessa evolução consequências nefastas serão ocasionadas?
Tentamos etiquetar o que não possui medidas de valor, engarrafamos essências e valores, e vendemo-nos a troco de fama e um suposto poder. Endeusamos marcas e outdoors, e o verdadeiro sentido de nossos dias se perdeu. Tentamos nos encaixar, tentamos sobreviver, nos julgamos inteligentes, racionais, sagazes, a última esfera da evolução, e assim, conseguimos destruir o mundo ao nosso redor. Nos enclausulamos em um mundo de esterótipos e produtos, rótulos e hipocrisia. Nos submetemos à ser controlados e monitorados a cada instante e ainda mais - queremos e gostamos disso. Tudo nisso numa vã tentativa de busca de uma suposta felicidade. Objetivos se perdem e a ganância assume o controle. Mas até quando? Até quando o planeta suportará um domínio exarcebado e desregrado nas mãos de poucos, enquanto muitos necessitam do mínimo?
A industrialização trouxe à longo prazo maior lucro e riqueza para alguns, porém, em contra partida, nos massificou e vendeu como produtos. Temos nossas características avaliadas tal como funções de um aparelho, e nós não aprendemos a nos tornar máquinas, mas ainda assim, nos deixamos alienar conscientemente, e ficamos felizes com nosso sono e estupidez eternos. Fechamos nossos olhos para aquilo que não queremos ver, os problemas ao nosso redor, no mundo, no nosso país, estado, cidade, rua. Nos auto-declamamos verdadeiros heróis quando praticamos uma pequena ação de "caridade" e assim nos sentimos melhores, e suprimos o grande vazio existencial que nos acompanha. Assim, nada me resta se não concordar com a própria Morte, em "A Menina Que Roubava Livros" de Markus Zusak, ao afirmar: "Os seres humanos me assombram."
Cerca de mais de um milhão de pessoas ao redor do mundo cometem suícidio todo ano, e além disso, cerca de 15 a 20% da população mundial sofre de depressão. Que evolução é essa em que o ser humano se encontra? Que evolução é essa que o ser humano conseguiu?
Ao custo de desmatamento de florestas, conseguimos móveis luxuosos e o churrasco de todo final de semana. Ao custo de extinção de espécies, conseguimos animais empalhados podendo ser ostentados em nossas salas, casacos de pele aquecendo nossos invernos. Ao custo da fome de 1 bilhão de pessoas no mundo, uma pequena parcela pode se enriquecer e viver tranquilamente em mansões. Quanto tempo mais é necessário para se compreender que na contramarcha dessa evolução consequências nefastas serão ocasionadas?
Tentamos etiquetar o que não possui medidas de valor, engarrafamos essências e valores, e vendemo-nos a troco de fama e um suposto poder. Endeusamos marcas e outdoors, e o verdadeiro sentido de nossos dias se perdeu. Tentamos nos encaixar, tentamos sobreviver, nos julgamos inteligentes, racionais, sagazes, a última esfera da evolução, e assim, conseguimos destruir o mundo ao nosso redor. Nos enclausulamos em um mundo de esterótipos e produtos, rótulos e hipocrisia. Nos submetemos à ser controlados e monitorados a cada instante e ainda mais - queremos e gostamos disso. Tudo nisso numa vã tentativa de busca de uma suposta felicidade. Objetivos se perdem e a ganância assume o controle. Mas até quando? Até quando o planeta suportará um domínio exarcebado e desregrado nas mãos de poucos, enquanto muitos necessitam do mínimo?
A industrialização trouxe à longo prazo maior lucro e riqueza para alguns, porém, em contra partida, nos massificou e vendeu como produtos. Temos nossas características avaliadas tal como funções de um aparelho, e nós não aprendemos a nos tornar máquinas, mas ainda assim, nos deixamos alienar conscientemente, e ficamos felizes com nosso sono e estupidez eternos. Fechamos nossos olhos para aquilo que não queremos ver, os problemas ao nosso redor, no mundo, no nosso país, estado, cidade, rua. Nos auto-declamamos verdadeiros heróis quando praticamos uma pequena ação de "caridade" e assim nos sentimos melhores, e suprimos o grande vazio existencial que nos acompanha. Assim, nada me resta se não concordar com a própria Morte, em "A Menina Que Roubava Livros" de Markus Zusak, ao afirmar: "Os seres humanos me assombram."
"O macaco é um animal demasiado simpático para que o homem descenda dele." Friedrich Nietzsche
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Como complemento, assista os seguintes vídeos:
"Evolution" da banda Korn. Para saber a letra, clique aqui.
"Do The Evolution" da banda Pearl Jam. Para saber a letra, clique aqui.
"A Metamorfose ou Os Insetos Interiores..." da banda O Teatro Mágico. Para saber a letra, clique aqui.

Este texto de vocês me fez lembrar de um poema:
ResponderExcluirEU ETIQUETA
Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
Carlos Drummond de Andrade