terça-feira, 14 de junho de 2011

Seminário

Imagem: Recorte em: http://flogvip.net/

A ciência moderna foi esculpida, como um mármore ainda em pedra por estudiosos brilhantes que viveram principalmente na primeira metade do século XVI. Esse mármore foi sendo trabalhado e virou escultura, uma arte.  
A qual inspirou em uma série de novas artes, assim como temos atualmente as nossas ciências que são inúmeras dentre as suas divisões. 
Uma parcela pequena de pessoas moldou essa ciência mas será que as mentes brilhantes se situam apenas numa restrita parcela de homens brancos e de poder aquisitivo? 
Existiu um domínio de pequenos grupos que conseguiram difundir o ideário da ciência. E a difusão ocorreu entre esse restrito grupo ao qual todo o conhecimento foi direcionado, e que podemos chamar de ‘’Proprietários do Saber’’, que limitavam a esfera da sabedoria para exatamente quem se adequasse aos perfis acima citados. Talvez se julgassem superiores e únicos capazes de entender, absorver e direcionar o conhecimento. 
Quem esteve fora do âmbito desse tentou reivindicar seu direito ao conhecimento e também espaço,  e a história nos mostra que os finais felizes são poucos. As mentes brilhantes existem independente de qualquer adjetivo externo, o que lhes faltaram foram oportunidades. 
Um exemplo de brilho fora do paradigma de intelectuais que esculpiram a ciência. 
Christine de Pizan nasceu em Veneza em 1364 e morreu em Poissy, cidade francesa em 1430. Foi filósofa e escritora, suas obras abordam inúmeros assuntos, que vão da política às paixões humanas. 
Principais Obras:  Lettre à Isabeau de Bavière – manifesto de voz às mulheres 
                        - Le Livre de Paix – tratado que diz a forma correta de se educar um príncipe, no princípio de honestidade 
Cito aqui outro exemplo de mente brilhante excluída pela sociedade de sua época. 
Cruz e Sousa nasceu em Florianópolis, em 1861 e morreu em 1898. Filho de escravos alforriados foi um dos precursores do simbolismo no Brasil, apesar de livre recebeu a tutela do seu ex-senhor e também uma educação refinada. 
Em 1883, foi recusado como promotor de Laguna - cidade catarinense - pelo fato de ser negro. E embora quase metade da população brasileira seja não-branca, poucos foram os escritores negros, mulatos ou indígenas. 
Os trabalhos daqueles que não se enquadravam na tradição branca, masculina e nobre não foram difundidos por uma questão cultural que restringe seres humanos a especificações – raça, gênero, ideologia , posição política e afins-. 
A humanidade perdeu supostos talentos brilhos, devido a esse processo restrito. Tomemos por exemplo além dos excluídos, a quantidade de livros queimados na idade média, moderna e contemporânea devido à intolerância a novos estudos, povos e ao medo de ter sua superioridade abalada.  
O Paradigma ciência é também o de exclusão, de intolerância, opressão que destinou a humanidade para a autodestruição. 

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