segunda-feira, 27 de junho de 2011

Admirável ?



"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe." Oscar Wilde


"Será admirável o nosso novo mundo? A quem serve esta civilização que se diz moderna e funcional e, ao aparato das técnicas, sacrifica o espírito?... O espírito, considerado realidade menor, o espírito tolerado, quando não reprimido... Qual, o lugar do homem, numa sociedade dominada pela máquina? Qual, o caminho para o Indivíduo que reivindique a liberdade interior e o direito à sua... individualidade, à sua singularidade? Para o Indivíduo que queira caminhar pêlos próprios pés? Aldous Huxley, um dos maiores escritores contemporâneos, descreve, em "Admirável Mundo Novo", com fantasia e ironia implacável, a sociedade futura totalitarista. Simplesmente, o universo que o grande romancista inglês anima pertence, de certo modo, aos nossos dias. Quase já não pode considerar-se uma ameaça: tomou corpo. O que empresta à leitura desta obra uma força trágica invulgar. Mundo novo? Mundo intolerável? Mundo inabitável? Mundo de onde se deve fugir, de qualquer maneira? Ou, mundo a reconstruir- pedra por pedra? Com uma pureza reconquistada? Aldous Huxley deixa-lhe este montinho de problemas que o leitor poderá- se quiser e souber... - resolver..."

Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley | Texto Integral (não revisado) Editores Associados – LISBOA

Pitty - Admirável Chip Novo (2003) | Letra

Zé Ramalho - Admirável Gado Novo | Letra

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Marcha

"Tudo começou em Toronto, Canadá. Um policial dava uma palestra sobre segurança no campus de uma universidade, em determinado momento afirmou que as estudantes devem evitar se vestir como vagabundas para não serem vítimas de assédio sexual ou estupro. A partir daí mulheres em Toronto, e em vários outros países, começaram a marchar pelo direito de serem donas de seus próprios corpos em eventos que receberam o nome de Slutwalk.

We are tired of being oppressed by slut-shaming; of being judged by our sexuality and feeling unsafe as a result. Being in charge of our sexual lives should not mean that we are opening ourselves to an expectation of violence, regardless if we participate in sex for pleasure or work. No one should equate enjoying sex with attracting sexual assault. Site oficial da SlutWalk Toronto

Há muitas discussões em torno do assunto. Há quem considere que tentar ressignificar a palavra “vadia” ou “vagabunda” não vai funcionar, pois no Brasil ela é usada especialmente para criticar a liberdade sexual das mulheres. Porém, todas já fomos chamadas de vadias e vagabundas em algum momento, quando ousamos ser quem somos, fazer o que desejamos. Essa palavra está marcada em nossas histórias pessoais e até mesmo nas novelas.

Slutwalk em Boston. Foto de Nina Mashurova no Flickr, em CC.
Slutwalk em Boston. Foto de Nina Mashurova no Flickr, em CC.

Mas, o principal é: nada justifica um ato de violência sexual. Nenhuma mulher é estuprável. E é contra isso que precisamos lutar. É triste abrir matérias de jornal sobre a Slutwalk e ler coisas como: "A principal atração da marcha são as roupas provocantes, que fazem uma alusão ao estereótipo da prostituta". Nossas roupas não são a principal atração, não são só mulheres vestidas como vagabundas que são estupradas. Não é nem obrigatório ir com “roupa de vagabunda” à manifestação. O objetivo da Marcha é questionar o controle que existe sobre o corpo das mulheres e sobre nossa sexualidade. E, principalmente, questionar o fato de que as mulheres são culpadas por serem estupradas. Vivemos numa sociedade que nos ensina “não seja estuprada”, ao invés de “não estupre”. É isso que precisamos mudar.


Marchando com outras vadias ou não, o importante é repensar nossos paradigmas. Pensar em quantos homens podem andar sem camisa na rua, sem serem assediados. Em quantas mulheres foram violentadas sexualmente porque estavam bêbadas e foram culpadas por isso. Portanto, não chame a coleguinha de puta, não culpe apenas as mulheres nos casos de adultério, não acredite no discurso que nos condena a viver na dicotomia puta x santa. Somos várias e vamos muito além de fórmulas e estereótipos.


A Slutwalk terá sua primeira edição no Brasil neste fim de semana em São Paulo. Dia 04/06, mulheres e homens se reunirão na Av. Paulista, na Praça do Ciclista – entre a Consolação e a Rebouças – a partir das 14h. Deixo por fim alguns textos sobre o assunto que abrem ótimas discussões e nos fazem pensar sobre o machismo diário que nos veste com uma burca invisível.

[+] Por que ir à Slutwalk. A Marjorie Rodrigues explica porque você deve ir e quais são as principais posições contrárias.
[+] SlutWalk: marcha das vagabundas e o feminismo-gracinha. A Jeanne Callegari discute machismo, feminismo e a questão da prostituição dentro da ressignificações da Slutwalk.
[+] Slutwalk – A Marcha das Vadias. Nesse texto faço um panorama com diversas opiniões a favor e contra a Slutwalk."



 
Marcha das Vadias termina em protesto contra "CQCs" 
 
 
 Marcha das Vadias - Mulheres protestam na Avenida Paulista contra o machismo

Proteção ou Repressão ?

Documentário independente dos alunos da 9ª turma de Audiovisual do Centro Universitário Barão de Mauá - Ribeirão Preto.


Qual a guerra ?

(Imagem do filme Capitães de Areia)

Em um século XXI já um tanto gasto de ser chamado assim - visto que entre 2001 e 2011 houveram, e ainda há mudanças grandiosas demais para uma "simples" década - um dos assuntos mais recorrentes é a violência, a criminalidade, a busca por paz e segurança. Mas o que é a paz? O que é a guerra? Quais valores determinam uma "paz ruim" e uma "guerra boa" e qual das duas é a mais correta?
Caminhando para o desfecho das postagens, o Bootstrap dessa vez convida ao leitor à uma reflexão profunda sobre quem são os heróis e os vilões da atual sociedade.
Estamos sempre impreterivelmente amarrados à todas as coisas que compõem o nosso eu individual - nossa família, amigos, lugar em que nascemos, crescemos, vivemos e frequentamos, status social, bens materiais que possuímos e aqueles que almejamos, a educação que tivemos de nossos pais, sociedade e escola. Temos acessos a determinados recursos. Tudo isso molda o cristal que formará o prisma de nossa visão do mundo - quem vê, vê sempre de algum lugar, e pelo menos em minha opinião, é impossível ser completamente imparcial, visto que a cada vez que julgamos algo, todos os fatores determinantes acima citados estão em questão, e uma série de outros mais.
Assim, como podemos nós, julgar quem são os culpados e quem são as vítimas da atual "guerra civil" que vivemos todos os dias? Temos medo de sair de casa e... Sermos abordados por aqueles que passam fome? Por aqueles que tiveram sua infância, juventude, adolescência, sonhos, idéias e ideais corrompidos, frustrados, destruídos e reduzidos à pó? Temos medo daqueles que foram cruelmente jogados em sarjetas muito mais cruéis do que as reais em que habitam - a sarjeta do mundo, a sarjeta social, a sarjeta do importuno, indesejável e repudiado, a sarjeta daqueles que foram colocados à margem de qualquer "sociedade", de qualquer chance, de qualquer oportunidade. É a sarjeta daqueles que já nascem "predestinados" a não terem chance nem escolha, a sarjeta daqueles que aprendem que esse é o único modo, a única coisa que eles podem fazer para não morrer de fome. Talvez seja, talvez não.
Mas ainda assim, é necessário refletir sobre nosso papel nisso tudo, no quanto colaboramos para que isso mude, ou o quanto fechamos nossos olhos ou voltamos eles para os shoppings e a "vida limpa e boa", e fingimos muito bem que não existe nada além daquilo, enclausulados em nossa suposta tentativa de segurança, atrás de grades e cadeados que apenas nos deixam observar as paredes frias ao nosso redor. Possuímos olhos, mas será mesmo que "vemos"?


Referente ao assunto, assita agora o vídeoclip "O Que Sobrou do Céu" do cantor O Rappa

Qual a igualdade ?

Song Song e a Pequena Gatinha - John Woo
 
 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Qual a paz?


Num debate quando se pergunta o que é paz as respostas admitem várias posições e opiniões, contudo no ápice de qualquer debate sobre essa temática,  entra uma de suas variações - a Segurança – e sobre isso há uma concordância plena e absoluta de todas as partes – A falta dela faz com que nos amedrontemos cada dia mais.

Os paulistanos estão perdendo o hábito de andar pelas ruas, hoje o seguro é sair de casa e - táxi! shopping ou qualquer outro programa e –táxi! Isso quer dizer que muita gente se priva de andar pela cidade devido ao medo do perigo sempre próximo e tão presente.

A onipresença do medo na vida dos cidadãos principalmente das grandes cidades, faz com que tenham um papel de presidiário às avessas, visto que, quem vive em lugares delimitados, casa, trabalho e o mesmo e monótono programa de final de semana é o próprio cidadão quando se tranca com chaves, cadeados e  permanecem entre grades.  E ainda tem a petulância de chamar essa semi-cadeia de’’ Lar, doce lar’’.

Alguns mascaram esse medo, outros não vivem como deveriam por conta disso. Até quando? No âmbito da política a melhora da segurança é um dos temas mais prometidos dos candidatos, -além de maiores investimentos na área de educação e abatimento da taxa tributária- temas e promessas que até agora, se melhorou precisamos de uma Lupa de investigador profissional para enxergar. Governos vão e vem e o perigo nada mais é que um sujeito que mora ali perto, vizinho das nossas próprias grades.


"Em um ano de ocupação no Iraque, morreram 1 000 soldados americanos. No mesmo período, 5 000 pessoas foram assassinadas em São Paulo. Quer dizer, é mais seguro andar fantasiado de soldado americano em Bagdá do que andar em São Paulo."
Paulo Maluf – ex -prefeito de São Paulo

http://www.youtube.com/watch?v=vF1Ad3hrdzY

Amélias ?

Imagem: Recorte em:  http://shaidehalim.blogspot.com/

"De maneira bem simplista, pode-se dizer que a mulher Amélia era criada para servir aos homens de sua vida: ao pai, ao irmão, ao marido, aos filhos. Depois de queimar muito sutiã, a mulher passou de serva dos homens a escrava das aparências.
Tornou-se um belo produto disponível no mercado. As inteligentes se vendem pelo Q.I., as bonitas apostam no corpão.
Mas a relação não se limita a isso, evidentemente. As mulheres batalharam e conquistaram espaço na sociedade. São profissionais, esposas, amantes, mães, ativistas, conselheiras, pagam as contas pro marido, fazem topless na praia. Hoje, mulheres e homens agem de igual pra igual quando se deparam com questões como divórcio, traição, ciúmes e solidão. Curtir a vida adoidado? Transar sem compromisso? Beber com os amigos? Direitos de todos.
As mulheres querem ser cada vez mais parecidas com os homens. Mas a verdade é que a sociedade é que está a cada dia que passa mais individualista. Não falta homem ou mulher no mercado. Falta comunicação.
(...) Pra mim, Amélia é aquela que agrada a todos menos a ela mesma. Ela é submissa por covardia, medo ou comodismo mesmo. Hoje, a Amélia é moderna por fora, mas extremamente insegura por dentro. Põe silicone e faz lipo, mas é a sombra do homem."

Marcia Batista - Saudades da Amélia?


"Invoquei em escrever uma letra sobre um assunto- investigação-curiosidade: como seria a Amélia do século XXI ? Depois de queimar o sutiã , obter direito ao voto e passar a exercer cargos de comando em poderosas empresas, como sentem-se hoje as mulheres? Aliviadas por terem mais autonomia ou sobrecarregadas porque além dos afazeres domésticos acumulam a função de sustentar uma casa? Pesquisei , e não pude deixar de (re) ler O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir; obra esta que me ajudou a clarear os pensamentos e a trazer para a música a  seguinte frase: “Já não quer ser o Outro, hoje ela é Um também.”  A Amélia de Ataulfo e Mario Lago mudou. Aquela que “era mulher de verdade e que não tinha a menor vaidade” hoje se desdobra entre a delicadeza de saber preparar uma refeição e a garra de acordar cedo pra ir trabalhar e tomar decisões. E, claro, se por acaso der pra fazer as unhas no intervalo do almoço, melhor ainda." 

Pitty (falando a respeito da criação de sua música, Desconstruindo Amélia)


"Sempre olhei torto pros livros de auto-ajuda. Até acredito que alguns sirvam de verdade pras pessoas se tornarem mais felizes, se entenderem, se aceitarem, cê sabe, essa coisa toda. O fato é que muitos dos que eu folheei - e até li - me deixaram uma péssima impressão. Parece coisa pra você se tornar uma pessoa melhor. Pros outros.
Torça o nariz ainda não! Claro que é bom que alguém queira se tornar mais sociável e, por consequência, mais querido. Mas pelamordedeus, não - pelo menos eu acho que não - às custas de coisas em que você acredita ou que te fazem interessante.
Mulher, então, lendo sobre "poder feminino" é coisa de assustar. Tem um livro super em alta, o tal do "Por que os homens amam mulheres poderosas". Não li o livro, não posso falar sobre ele, só posso falar sobre uma possível má-intenção da leitora: já ouvi mulher comentar que ia ler pra deixar de ser submissa e ficar mais conquistadora. Sério mesmo que você quer deixar de se dobrar à vontade dos homens? Aí resolveu que uma boa forma de começar é tentar agir de forma diferente só porque eles vão gostar mais? Ôpa, poderosona, einh!
Faça-me o favor... Amélia era muito mais digna na sua ausência de vaidade e submissão assumida que a falsa-independente que faz tudo o que diz que gosta - mas olhando de rabo-de-olho pra saber se tem algum homem reparando.
Bora combinar? Livro assim não devia se chamar livro de auto-ajuda, devia se chamar livro-de-ajuda-às-pessoas-que-você-quer-agradar. Um ou outro livro pode se salvar desse monte. Ainda assim, muito desconfio.
Até porque, fala sério. Um livro que fala sobre amor-próprio não devia acabar te convencendo de que você, seus planos e sua forma de ver o mundo são uma droga."
 
Elaine - Auto Atrapalha



Para complementar a discussão, ouça e compare as duas músicas seguintes:



Ai! Que saudades da Amélia - Ataulfo Alves e Mário Lago (1942) - Letra



Desconstruindo Amélia - Pitty (2009) - Letra
.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...