sexta-feira, 24 de junho de 2011

Qual a guerra ?

(Imagem do filme Capitães de Areia)

Em um século XXI já um tanto gasto de ser chamado assim - visto que entre 2001 e 2011 houveram, e ainda há mudanças grandiosas demais para uma "simples" década - um dos assuntos mais recorrentes é a violência, a criminalidade, a busca por paz e segurança. Mas o que é a paz? O que é a guerra? Quais valores determinam uma "paz ruim" e uma "guerra boa" e qual das duas é a mais correta?
Caminhando para o desfecho das postagens, o Bootstrap dessa vez convida ao leitor à uma reflexão profunda sobre quem são os heróis e os vilões da atual sociedade.
Estamos sempre impreterivelmente amarrados à todas as coisas que compõem o nosso eu individual - nossa família, amigos, lugar em que nascemos, crescemos, vivemos e frequentamos, status social, bens materiais que possuímos e aqueles que almejamos, a educação que tivemos de nossos pais, sociedade e escola. Temos acessos a determinados recursos. Tudo isso molda o cristal que formará o prisma de nossa visão do mundo - quem vê, vê sempre de algum lugar, e pelo menos em minha opinião, é impossível ser completamente imparcial, visto que a cada vez que julgamos algo, todos os fatores determinantes acima citados estão em questão, e uma série de outros mais.
Assim, como podemos nós, julgar quem são os culpados e quem são as vítimas da atual "guerra civil" que vivemos todos os dias? Temos medo de sair de casa e... Sermos abordados por aqueles que passam fome? Por aqueles que tiveram sua infância, juventude, adolescência, sonhos, idéias e ideais corrompidos, frustrados, destruídos e reduzidos à pó? Temos medo daqueles que foram cruelmente jogados em sarjetas muito mais cruéis do que as reais em que habitam - a sarjeta do mundo, a sarjeta social, a sarjeta do importuno, indesejável e repudiado, a sarjeta daqueles que foram colocados à margem de qualquer "sociedade", de qualquer chance, de qualquer oportunidade. É a sarjeta daqueles que já nascem "predestinados" a não terem chance nem escolha, a sarjeta daqueles que aprendem que esse é o único modo, a única coisa que eles podem fazer para não morrer de fome. Talvez seja, talvez não.
Mas ainda assim, é necessário refletir sobre nosso papel nisso tudo, no quanto colaboramos para que isso mude, ou o quanto fechamos nossos olhos ou voltamos eles para os shoppings e a "vida limpa e boa", e fingimos muito bem que não existe nada além daquilo, enclausulados em nossa suposta tentativa de segurança, atrás de grades e cadeados que apenas nos deixam observar as paredes frias ao nosso redor. Possuímos olhos, mas será mesmo que "vemos"?


Referente ao assunto, assita agora o vídeoclip "O Que Sobrou do Céu" do cantor O Rappa

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