quinta-feira, 30 de junho de 2011

A ditadura realmente chegou ao seu fim ?

 

Garotinho acusa Cabral de ser 'arrogante' e 'ditatorial' com os bombeiros do Rio


"BRASÍLIA - Em discurso proferido no plenário da Câmara nesta quinta-feira, o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) criticou o tratamento dado pelo governador do Rio, Sérgio Cabral, aos bombeiros do estado que protestavam contra os baixos salários da categoria. Eles foram presos sob a acusação de motim, infração prevista para militares. O deputado destacou que os bombeiros do Rio "recebem o pior salário do país" e que os salvavidas não recebem do sequer protetor solar para trabalhar. Segundo Garotinho, o governador se comportou de forma "arrogante" e "ditatorial" ao se recusar a dialogar com os bombeiros.
- Hoje eu subo à tribuna desta Casa para falar sobre um assunto que vem causando indignação, que tem causado um sentimento de repulsa a todos os brasileiros pela forma cruel, covarde, desumana que o governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral vem tratando os bombeiros militares do Estado do Rio de Janeiro, que estão lutando não por um salário de marajá, mas por um salário digno - protestou Garotinho.
O deputado ainda disse que a situação dos bombeiros do Rio é resultado de uma série de erros cometidos por Cabral. Ele acusou o governador de ter extinto a Secretaria Estadual de Defesa Civil e, com isso, o Corpo de Bombeiros do Rio teria ficado subordinado à Secretaria de Saúde. Garotinho também disse que, quando era governador, a categoria recebia como piso três salários mínimos e meio, mas hoje eles recebem menos de dois salários mínimos de piso. O deputado chamou Cabral de "soberano, vaidoso, absolutista" e o desafiou:
- Seja humilde, governador! Recrie a Secretaria de Defesa Civil, dê um aumento antecipado aos bombeiros e policiais.
Garotinho também criticou a invasão do quartel onde estavam, "além dos bombeiros, crianças e as esposas dos bombeiros".
- Ele foi covarde e também irresponsável. Antes de invadir mesmo um presídio, onde estão bandidos armados com reféns, primeiro se corta a luz, depois se corta a água. Há todo um processo de negociação. O governador foi cruel! - disse, completando: - A soberba do governador Sérgio Cabral não lhe permite negociar com aquelas pessoas.
Outra crítica feita ao governador foi a de que ele teria desviado dinheiro público:
- Ah, não há dinheiro, mas para superfaturar a obra do Maracanã em 1 bilhão de reais há dinheiro! Lá serão realizadas sete partidas de futebol da Copa do Mundo. Um bilhão de reais! Basta dividir 1 bilhão de reais para se constatar que, com esse dinheiro, pagando o salário que o Rio de Janeiro paga aos bombeiros, daria para pagar os salários de 1 milhão de bombeiros.
Garotinho ainda aproveitou para se manifestar contra um suposto atentado que teria sofrido na última sexta-feira. Segundo contou, no caminho entre Cabo Frio e Campos, seu carro foi atingido por dois tiros. Ele disse que não sabe quem foi o autor dos disparos. Mas lembrou que, há mais de 40 dias, comunicou a presidente da Câmara, deputado Marco Maia, que estava sofrendo ameaças por parte de uma alta autoridade federal do governo passado, por estar investigando, na Comissão de Fiscalização e Controle, atos de corrupção da mesma pessoa.
- Lembro as palavras de um grande brasileiro, grande político com quem convivi durante 18 anos, chamado Leonel Brizola, que dizia: "Se tem boca de jacaré, tem rabo de jacaré, tem coro de jacaré, vai ser muito difícil que não seja jacaré" - ponderou."


Vídeo de complemento: Pitty - Quem Vai Queimar (Letra)

Prós e Contras: Globalização

Um encontro com Milton Santos:
‘’A partir de uma entrevista feita com o geógrafo Milton Santos em 4 de janeiro de 2001 é discutido o tema da globalização e seus efeitos nos países e cidades do planeta.’’ E por suas idéias e práticas, inspira o debate sobre a sociedade e a construção de um novo mundo.


Informações Técnicas
Título no Brasil:  Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá
Título Original:  Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá
País de Origem:  Brasil
Gênero:  Documentário
Tempo de Duração: 89 minutos
Ano de Lançamento:  2006
Estréia no Brasil: 17/08/2007
Site Oficial:  
Estúdio/Distrib.:  Caliban Produções
Direção:  
Silvio Tendler

A globalização vista por um geógrafo, exilado que retorna ao Brasil a caminho do reconhecimento.

‘’Centros urbanos modernos não destroem a experiência humana. O que a destrói é a civilização que adotamos. ’’ – Milton Santos

Qual o papel da igreja ?



Pedofilia e Igreja

"Como alguns devem saber (ou ao menos imaginar), a pedofilia é uma atrocidade que, diferentemente do que muitas pensavam, já ocorre por décadas dentre as “quatro paredes sagradas” da igreja (recuso-me a escrever igreja com “i” maiúsculo, não vejo motivos para isso). Certamente, como disse o Côn. José Roberto Silva, da Arquidiocese do Rio, a pedofilia não é algo “patognomônico” da igreja. Claro, o meu vizinho pode ser um pedófilo, seu primo distante pode ser um pedófilo, mas creio que nenhum deles (exceto aqueles que pregam “a palavra do homem-invisível”) considera-se o portador de mensagens divinas, o representante de um ser superior na terra, e aposto que nenhum deles utiliza desses artifícios para viver uma vida estrategicamente solitária, não no sentido de ausência de amigos ou quaisquer entes queridos, mas sim solitária de sentimentos inerentes aos humanos, como a libido, o prazer sexual, os “prazeres da carne”.

Agora, o que podemos pensar de uma pessoa como essa, – apta a preencher todos os critérios anteriores de “portador de mensagens divinas”, usuária de um poder ridiculamente concedido por outros que, como ele, pensam que através do domínio das grandes massa, o poder despejado nas veias da igreja aumentará em ritmo exponencial, permitindo um extermínio mental cada vez maior, e um saldo bancário idem – que utiliza então desse asqueroso poder para aproveitar-se de uma criança, de um corpo sem resistência, de uma mente incapaz de compreender ipsis literis o que está se passando naquele momento em que sua inviolabilidade é retirada com a mesma agressividade que se emprega para esfolar um animal abatido rumo ao açougue? Acho que monstro seria uma palavra muito branda, quase um elogio para um ser com esses atributos.

Aquele que traz as palavras do homem-invisível para você e para a sua família, pode, amanhã, ser o violentador/estuprador do seu filho(a)! Você consegue imaginar uma situação dessas sem despertar dentro de sua mente um sentimento de pura raiva, de impotência, de desespero encoberto por tristeza e revolta? Poderia apostar minha sanidade em que não, você não consegue!

Não são somente membros do clero que praticam pedofilia. Isso é óbvio. Mas o que me revolta é o fato de homens que deveriam expor suas pessoas como exemplos cometerem atrocidades como essa! Homens “de fé”, seguidores do homem-invisível, pregadores da moral e dos bons costumes, invadindo crianças com uma onda de asco, repugnância, transformando suas vidas recém-iniciadas em um inferno na terra (um living hell, como diriam os imperialistas norte-americanos). Consigo pensar nisso até onde minha razão deixe acompanhar, antes de me fazer desistir devido às imagens grotescas que dançam em minha mente, vultos de vidas que serão violentamente atormentadas ao longo de seus infelizes dias, dias os quais garanto que irão demorar uma pequena eternidade até cederem espaço para mais um período de tormentos, formando assim um ciclo ininterrupto de desespero.

Isso acontece, no seu cotidiano, mas você apenas não se dá conta. Será que com o pagamento de indenizações por parte da igreja a dor dessas pessoas poderá ser apagada? Não, com certeza não. E o Vaticano ainda exige discrição com os fatos! Isso nada mais é do que compartilhar um crime, corroborar com o ato de vandalismo emocional que atinge as vítimas, dar espaço para que novos crimes semelhantes aconteçam.

Um dos mandamentos consiste na frase “não matarás”. A pedofilia praticada pelos membros do clero nada mais é do que o assassinato de personalidades, o estrangulamento de emoções, o arder em brasas de vidas que recém conhecem os segredos do mundo.

Segredos assustadores, infelizmente. "
Vídeo associado: Apocalyptica featuring Corey Taylor - I'm Not Jesus (Letra/Tradução)


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Admirável ?



"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe." Oscar Wilde


"Será admirável o nosso novo mundo? A quem serve esta civilização que se diz moderna e funcional e, ao aparato das técnicas, sacrifica o espírito?... O espírito, considerado realidade menor, o espírito tolerado, quando não reprimido... Qual, o lugar do homem, numa sociedade dominada pela máquina? Qual, o caminho para o Indivíduo que reivindique a liberdade interior e o direito à sua... individualidade, à sua singularidade? Para o Indivíduo que queira caminhar pêlos próprios pés? Aldous Huxley, um dos maiores escritores contemporâneos, descreve, em "Admirável Mundo Novo", com fantasia e ironia implacável, a sociedade futura totalitarista. Simplesmente, o universo que o grande romancista inglês anima pertence, de certo modo, aos nossos dias. Quase já não pode considerar-se uma ameaça: tomou corpo. O que empresta à leitura desta obra uma força trágica invulgar. Mundo novo? Mundo intolerável? Mundo inabitável? Mundo de onde se deve fugir, de qualquer maneira? Ou, mundo a reconstruir- pedra por pedra? Com uma pureza reconquistada? Aldous Huxley deixa-lhe este montinho de problemas que o leitor poderá- se quiser e souber... - resolver..."

Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley | Texto Integral (não revisado) Editores Associados – LISBOA

Pitty - Admirável Chip Novo (2003) | Letra

Zé Ramalho - Admirável Gado Novo | Letra

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Marcha

"Tudo começou em Toronto, Canadá. Um policial dava uma palestra sobre segurança no campus de uma universidade, em determinado momento afirmou que as estudantes devem evitar se vestir como vagabundas para não serem vítimas de assédio sexual ou estupro. A partir daí mulheres em Toronto, e em vários outros países, começaram a marchar pelo direito de serem donas de seus próprios corpos em eventos que receberam o nome de Slutwalk.

We are tired of being oppressed by slut-shaming; of being judged by our sexuality and feeling unsafe as a result. Being in charge of our sexual lives should not mean that we are opening ourselves to an expectation of violence, regardless if we participate in sex for pleasure or work. No one should equate enjoying sex with attracting sexual assault. Site oficial da SlutWalk Toronto

Há muitas discussões em torno do assunto. Há quem considere que tentar ressignificar a palavra “vadia” ou “vagabunda” não vai funcionar, pois no Brasil ela é usada especialmente para criticar a liberdade sexual das mulheres. Porém, todas já fomos chamadas de vadias e vagabundas em algum momento, quando ousamos ser quem somos, fazer o que desejamos. Essa palavra está marcada em nossas histórias pessoais e até mesmo nas novelas.

Slutwalk em Boston. Foto de Nina Mashurova no Flickr, em CC.
Slutwalk em Boston. Foto de Nina Mashurova no Flickr, em CC.

Mas, o principal é: nada justifica um ato de violência sexual. Nenhuma mulher é estuprável. E é contra isso que precisamos lutar. É triste abrir matérias de jornal sobre a Slutwalk e ler coisas como: "A principal atração da marcha são as roupas provocantes, que fazem uma alusão ao estereótipo da prostituta". Nossas roupas não são a principal atração, não são só mulheres vestidas como vagabundas que são estupradas. Não é nem obrigatório ir com “roupa de vagabunda” à manifestação. O objetivo da Marcha é questionar o controle que existe sobre o corpo das mulheres e sobre nossa sexualidade. E, principalmente, questionar o fato de que as mulheres são culpadas por serem estupradas. Vivemos numa sociedade que nos ensina “não seja estuprada”, ao invés de “não estupre”. É isso que precisamos mudar.


Marchando com outras vadias ou não, o importante é repensar nossos paradigmas. Pensar em quantos homens podem andar sem camisa na rua, sem serem assediados. Em quantas mulheres foram violentadas sexualmente porque estavam bêbadas e foram culpadas por isso. Portanto, não chame a coleguinha de puta, não culpe apenas as mulheres nos casos de adultério, não acredite no discurso que nos condena a viver na dicotomia puta x santa. Somos várias e vamos muito além de fórmulas e estereótipos.


A Slutwalk terá sua primeira edição no Brasil neste fim de semana em São Paulo. Dia 04/06, mulheres e homens se reunirão na Av. Paulista, na Praça do Ciclista – entre a Consolação e a Rebouças – a partir das 14h. Deixo por fim alguns textos sobre o assunto que abrem ótimas discussões e nos fazem pensar sobre o machismo diário que nos veste com uma burca invisível.

[+] Por que ir à Slutwalk. A Marjorie Rodrigues explica porque você deve ir e quais são as principais posições contrárias.
[+] SlutWalk: marcha das vagabundas e o feminismo-gracinha. A Jeanne Callegari discute machismo, feminismo e a questão da prostituição dentro da ressignificações da Slutwalk.
[+] Slutwalk – A Marcha das Vadias. Nesse texto faço um panorama com diversas opiniões a favor e contra a Slutwalk."



 
Marcha das Vadias termina em protesto contra "CQCs" 
 
 
 Marcha das Vadias - Mulheres protestam na Avenida Paulista contra o machismo

Proteção ou Repressão ?

Documentário independente dos alunos da 9ª turma de Audiovisual do Centro Universitário Barão de Mauá - Ribeirão Preto.


Qual a guerra ?

(Imagem do filme Capitães de Areia)

Em um século XXI já um tanto gasto de ser chamado assim - visto que entre 2001 e 2011 houveram, e ainda há mudanças grandiosas demais para uma "simples" década - um dos assuntos mais recorrentes é a violência, a criminalidade, a busca por paz e segurança. Mas o que é a paz? O que é a guerra? Quais valores determinam uma "paz ruim" e uma "guerra boa" e qual das duas é a mais correta?
Caminhando para o desfecho das postagens, o Bootstrap dessa vez convida ao leitor à uma reflexão profunda sobre quem são os heróis e os vilões da atual sociedade.
Estamos sempre impreterivelmente amarrados à todas as coisas que compõem o nosso eu individual - nossa família, amigos, lugar em que nascemos, crescemos, vivemos e frequentamos, status social, bens materiais que possuímos e aqueles que almejamos, a educação que tivemos de nossos pais, sociedade e escola. Temos acessos a determinados recursos. Tudo isso molda o cristal que formará o prisma de nossa visão do mundo - quem vê, vê sempre de algum lugar, e pelo menos em minha opinião, é impossível ser completamente imparcial, visto que a cada vez que julgamos algo, todos os fatores determinantes acima citados estão em questão, e uma série de outros mais.
Assim, como podemos nós, julgar quem são os culpados e quem são as vítimas da atual "guerra civil" que vivemos todos os dias? Temos medo de sair de casa e... Sermos abordados por aqueles que passam fome? Por aqueles que tiveram sua infância, juventude, adolescência, sonhos, idéias e ideais corrompidos, frustrados, destruídos e reduzidos à pó? Temos medo daqueles que foram cruelmente jogados em sarjetas muito mais cruéis do que as reais em que habitam - a sarjeta do mundo, a sarjeta social, a sarjeta do importuno, indesejável e repudiado, a sarjeta daqueles que foram colocados à margem de qualquer "sociedade", de qualquer chance, de qualquer oportunidade. É a sarjeta daqueles que já nascem "predestinados" a não terem chance nem escolha, a sarjeta daqueles que aprendem que esse é o único modo, a única coisa que eles podem fazer para não morrer de fome. Talvez seja, talvez não.
Mas ainda assim, é necessário refletir sobre nosso papel nisso tudo, no quanto colaboramos para que isso mude, ou o quanto fechamos nossos olhos ou voltamos eles para os shoppings e a "vida limpa e boa", e fingimos muito bem que não existe nada além daquilo, enclausulados em nossa suposta tentativa de segurança, atrás de grades e cadeados que apenas nos deixam observar as paredes frias ao nosso redor. Possuímos olhos, mas será mesmo que "vemos"?


Referente ao assunto, assita agora o vídeoclip "O Que Sobrou do Céu" do cantor O Rappa

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