sexta-feira, 1 de julho de 2011

The end... OR NOT.



Já diziam os Los Hermanos: todo carnaval tem seu fim. Com essa postagem, o Booststrap informa o encerramento de posts oficiais do blog. O que isso quer dizer? Até segunda ordem - superior - o Bootstrap continuará ativo e recebendo novos posts - de acordo com o tempo disponível de suas fundadoras - mesmo que eles não sejam mais válidos como nota na disciplina de Comunicação e Expressão lecionados por Luciana Salazar. O Bootstrap continuará funcionando com o mesmo motivo pelo qual ele foi criado: um espaço para se informar e discutir à respeito dos mais variados assuntos. Infelizmente, não podemos prometer que o Bootstrap terá um vida longa, visto que ambas temos nossas preocupações e afazeres particulares e com a graduação, e assim, não sabemos até quando haverá um tempo disponível para que postemos aqui. Mas ainda assim, esperamos ter levado conhecimento, informação, reflexão e um possível entreterimento para todos aqueles que por aqui passaram. Desejamos à todos boas férias e até o próximo semestre!



A Primeira Semana - O Teatro Mágico (Letra)

Ditadura das Minorias ?

Imagem: Tarsila do Amaral - Operários
 

Não existe ditadura das minorias, e sim, DE UMA minoria
 

"Já fazia algum tempo que queria escrever sobre isso. Pois é algo que vem me incomodando muito.
Na atual onda de “politicamente incorreto” (eufemismo para “fascismo envergonhado”), uma das queixas destes “incorretos” é que hoje em dia vivemos uma “ditadura das minorias”. Que não se pode contar uma piada sem que se corra risco de ofensa contra alguma minoria. Que não se tem mais liberdade de expressão, e blá blá blá. Logo, é ditadura. Das minorias, é claro.
Interessante essa visão deles. Pois começo a pensar nas diversas minorias “opressoras” na ótica dessa gente. Só a primeira delas, as mulheres, já corresponde a pouco mais da metade da população brasileira. Ou seja, falamos é de uma maioria. Nem precisei ir longe para derrubar os “argumentos” deles.
Só que não são apenas as mulheres os alvos do “humor” deles. As “piadas” também atingem negros, índios, mestiços, homossexuais etc. Se fizermos a soma, já temos uma maioria esmagadora.
Logo, “minoria” é justamente quem não se encaixa em nenhuma das ditas “minorias” que, dizem, são “opressoras”. Só os homens já formam uma minoria; se quisermos para a “amostra” os que sejam também brancos e heterossexuais, sobra menos ainda.

————

Agora, vamos falar de ditadura. Primeiro, vejamos o que diz o minidicionário Aurélio:
ditadura sf 1. Forma de governo em que todos os poderes se enfeixam nas mãos dum indivíduo, grupo, partido ou classe. 2. Tirania.

Nas mãos dum indivíduo, grupo, partido ou classe. Reparemos que o dicionário não fala no plural. Pois na ditadura não há pluralidade. Nem de opiniões, nem de pessoas (ou grupos de) no poder.
Voltemos, então, às minorias e à suposta “ditadura” delas. No caso, seria uma ditadura da maioria, que é a soma de todas elas. E “ditadura da maioria” se aproxima de… Democracia! (Sim, se aproxima, já que democracia real seria o governo de todos.)
Porém, sequer é esta a realidade. Pois o poder não se encontra nas mãos destas minorias (que unidas formam a maioria). Elas não oprimem – pelo contrário, são oprimidas por uma minoria, formada por homens brancos e heterossexuais (embora obviamente não se trate de todos eles – afinal, eu sou homem branco heterossexual e não concordo com a opressão, mas reconheço que sou parte do problema).
Esta minoria sempre se sentiu no direito de humilhar os diferentes. Só que agora os seus alvos não parecem mais muito dispostos a aceitarem isso calados. Daí toda a reclamação quanto à suposta “ditadura das minorias”: os “politicamente incorretos” querem liberdade para oprimir."


 

A ditadura realmente chegou ao seu fim ? - Parte III



"Quando perdemos a capacidade de nos indignarmos com as atrocidades praticadas contra outros, perdemos também o direito de nos considerarmos seres humanos civilizados." Vladimir Herzog



O Que A Falácia Da Ditabranda Revela

Por Marco Aurélio Weissheimer, da Carta Maior


"Em um editorial publicado no dia 17 de fevereiro de 2009, o jornal Folha de S. Paulo utilizou a expressão “ditabranda” para se referir à ditadura que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Na opinião do jornal, que apoiou o golpe militar de 1964 que derrubou o governo constitucional de João Goulart, a ditadura brasileira teria sido “mais branda” e “menos violenta” que outros regimes similares na América Latina.

Como já se sabe, a Folha não foi original na escolha do termo. Em setembro de 1983, o general Augusto Pinochet, em resposta às críticas dirigidas à ditadura militar chilena, afirmou: “Esta nunca foi uma ditadura, senhores, é uma dictablanda”. Mas o tema central aqui não diz respeito à originalidade. O uso do termo pelo jornal envolve uma falácia nada inocente. Uma falácia que revela muita coisa sobre as causas e consequências do golpe militar de 1964 e sobre o momento vivido pela América Latina.

É importante lembrar em que contexto o termo foi utilizado pela Folha. Intitulado “Limites a Chávez”, o editorial criticava o que considerava ser um “endurecimento do governo de Hugo Chávez na Venezuela”. A escolha da ditadura brasileira para fazer a comparação com o governo de Chávez revela, por um lado, a escassa inteligência do editorialista. Para o ponto que ele queria sustentar, tal comparação não era necessária e muito menos adequada. Tanto é que pouca gente lembra que o editorial era dirigido contra Chávez, mas todo mundo lembra da “ditabranda”.

A falta de inteligência, neste caso, parece andar de mãos dadas com uma falsa consciência culpada que tenta esconder e/ou justificar pecados do passado. Para a Folha, a ditadura brasileira foi uma “ditabranda” porque teria preservado “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”, o que não estaria ocorrendo na Venezuela. Mas essa falta de inteligência talvez seja apenas uma cortina de fumaça.

O editorial não menciona quais seriam as “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça” da ditadura militar brasileira, mas considera-as mais democráticas que o governo Chávez que, em uma década, realizou 15 eleições no país, incluindo aí um referendo revogatório que poderia ter custado o mandato ao presidente venezuelano. Ao fazer essa comparação e a escolha pela ditadura brasileira, a Folha está apenas atualizando as razões pelas quais apoiou, junto com a imensa maioria da imprensa brasileira, o golpe militar contra o governo constitucional de João Goulart.

Está dizendo, entre outras coisas, que, caso um determinado governo implementar um certo tipo de políticas, justifica-se interromper a democracia e adotar “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”. A escolha do termo “ditabranda”, portanto, não é acidental e tampouco um descuido. Trata-se de uma profissão de fé ideológica.

Há uma cortina de véus que tentam esconder o caráter intencional dessa escolha. Um desses véus apresenta-se sob a forma de uma falácia, a que afirma que a nossa ditadura não teria sido tão violenta quanto outras na América Latina. O núcleo duro dessa falácia consiste em dissociar a ditadura brasileira das ditaduras em outros países do continente e do contexto histórico da época, como se elas não mantivessem relação entre si, como se não integrassem um mesmo golpe desferido contra a democracia em toda a região.

O golpe militar de 1964 e a ditadura militar brasileira alimentaram política e materialmente uma série de outras ditaduras na América Latina. As democracias chilena e uruguaia caíram em 1973. A argentina em 1976. Os golpes foram se sucedendo na região, com o apoio político e logístico dos EUA e do Brasil. Documentos sobre a Operação Condor fornecem vastas evidências dessa relação.

Recordando. A Operação Condor é o nome dado à ação coordenada dos serviços de inteligência das ditaduras militares na América do Sul, iniciada em 1975, com o objetivo de prender, torturar e matar militantes de esquerda no Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

O pretexto era o argumento clássico da Guerra Fria: "deter o avanço do comunismo internacional". Auxiliados técnica, política e financeiramente por oficiais do Exército dos Estados Unidos, os militares sul-americanos passaram a agir de forma integrada, trocando informações sobre opositores considerados perigosos e executando ações de prisão e/ou extermínio. A operação deixou cerca de 30 mil mortos e desaparecidos na Argentina, entre 3 mil e 7 mil no Chile e mais de 200 no Uruguai, além de outros milhares de prisioneiros e torturados em todo o continente.

Na contabilidade macabra de mortos e desaparecidos, o Brasil registrou um número menor de vítimas durante a ditadura militar, comparado com o que aconteceu nos outros países da região. No entanto, documento secretos divulgados recentemente no Paraguai e nos EUA mostraram que os militares brasileiros tiveram participação ativa na organização da repressão em outros países, como, por exemplo, na montagem do serviço secreto chileno, a Dina. Esses documentos mostram que oficiais do hoje extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) ministraram cursos de técnicas de interrogatório e tortura para militares chilenos.

Em uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo (30/12/2007), o general Agnaldo Del Nero Augusto admitiu que o Exército brasileiro prendeu militantes montoneros e de outras organizações de esquerda latino-americanas e os entregou aos militares argentinos. “A gente não matava. Prendia e entregava. Não há crime nisso”, justificou na época o general. Humildade dele. Além de prender e entregar, os militares brasileiros também torturavam e treinavam oficiais de outros países a torturar. Em um dos documentos divulgados no Paraguai, um militar brasileiro diz a Pinochet para enviar pessoas para se formarem em repressão no Brasil, em um centro de tortura localizado em Manaus.

Durante a ditadura, o Brasil sustentou política e materialmente governos que torturaram e assassinaram milhares de pessoas. Esconder essa conexão é fundamental para a Folha afirmar a suposta existência de uma “ditabranda” no Brasil. A ditadura brasileira não teve nada de branda. Ao contrário, ela foi um elemento articulador, política e logisticamente, de outros regimes autoritários alinhados com os EUA durante a guerra fria. O editorial da Folha faz eco às palavras do general Del Nero: “a gente só apoiava e financiava a ditadura; não há crime nisso”.

Não é coincidência, pois, que o mesmo jornal faça oposição ferrenha aos governos latino-americanos que, a partir do início dos anos 2000, levaram o continente para outros rumos. Governos eleitos no Brasil, na Venezuela, na Bolívia, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai passam a ser alvos de uma sistemática oposição midiática que, muitas vezes, substitui a própria oposição partidária.

A Folha acha a ditadura branda porque, no fundo, subordina a continuidade e o avanço da democracia a seus interesses particulares e a uma agenda ideológica particular, a saber, a da sacralização do lucro e do mercado privado. Uma grande parcela do empresariado brasileiro achou o mesmo em 64 e apoiou o golpe. Querer diminuir ou relativizar a crueldade e o caráter criminoso do que aconteceu no Brasil naquele período tem um duplo objetivo: esconder e mascarar a responsabilidade pelas escolhas feitas, e lembrar que a lógica que embalou o golpe segue viva na sociedade, com um discurso remodelado, mas pronto entrar em ação, caso a democracia torne-se demasiadamente democrática."

Fonte: Carta Maior e Boca no Trombone 



Vídeo relacionado: Apesar de Você - Chico Buarque (Letra)


Os bons costumes

   
O conservadorismo cristão da igreja católica entrou em colapso no último domingo 26 de junho. Nesse dia ocorreu em São Paulo, na Avenida Paulista, a ‘’parada do orgulho LGBT ‘’já em seu décimo quinto aniversário. O grande problema ocorreu devido à temática utilizada pelos organizadores advertindo sobre os riscos da AIDS, nesse ano foram usadas imagens de santos representantes de crenças católicas com o bordão ‘’ Nem santo te protege’’ e ‘’Use camisinha’’.
    A repercussão causou uma tormenta aos órgãos religiosos, os quais acusam a representação da parada como insulto à tradição da igreja.
   Não é de hoje que a parada do orgulho gay movimenta as organizações conservadoras. O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB- RJ), também representante da igreja comunidade sara nossa terra não só é contra, mas é junto do também evangélico Carlos Apolinário (DEM) um dos principais membros que apóiam a criação do Dia do Orgulho Heterossexual, esta que, segundo ele deverá ser mantida pelo estado a fim de valorizar os ‘’bons costumes’’.
   Quais são esses? Talvez o tradicionalismo de sempre – religioso, honesto e trabalhador – os mesmos que [não] nos fartamos ao acompanhar diariamente pelos meios de comunicação.

 Tiraram Jesus da Paulista, mas deixaram os gays” – Carlos Apolinário

   São comentários como esses, dos representantes de uma ‘’classe’’ que ganha mais peso na política brasileira, que fortalecem as linhas do preconceito que tanto tentamos cortar.


Auxílio de texto :www. vejaspabril.com.br
                       

A ditadura realmente chegou ao seu fim ? - Parte II



"Ditabranda" é o escambau

"No dia 17 de fevereiro, o jornal Folha de S. Paulo cunhou o termo "ditabranda" para se referir ao regime militar brasileiro que ceifou a democracia no Brasil de 1964 a 1985. Definir como "ditabranda" uma época na qual cidadãos como Rubens Paiva, Antônio Henrique Pereira Neto, Stuart e Zuzu Angel, Nilda e Esmeraldina Cunha, Vladimir Herzog e outras centenas de pessoas foram barbaramente perseguidos, torturados e assassinados, é um insulto à memória deste país. E um desastre para a credibilidade de uma empresa jornalística cujo maior compromisso deveria ser com a Verdade.
A charge que ilustra este post, impactante paráfrase visual criada por Carlos Latuff, já foi divulgada por blogs como O Biscoito Fino e a Massa, Maria Frô e O Escriba, mas precisa ser mais divulgada. Mas creio que a questão principal aqui não é de, pela enésima vez, fomentar as repetitivas brigas entre "direitistas" ou "esquerdistas", que transformam qualquer discussão política em rixa de torcidas organizadas de futebol. O que gostaria de ressaltar é o fato de que um veículo jornalístico, cuja principal matéria-prima é a palavra, não poderia jamais relativizar fatos históricos e fartamente documentados como todos os crimes cometidos pela ditadura brasileira, banalizando tantas mortes e torturas com um trocadilho estúpido e inconsequente."

 
* * * * *
P.S. 1: Links recomendados: A "ditabranda" da Folha (Igor Ribeiro), De caboca@sontag.org para gaspari@fsp.ditabranda.br (Hipopótamo Zeno), Quem foi Vladimir Herzog (Instituto Vladimir Herzog).
P.S. 2: A quem interessar possa: um ato público de protesto foi marcado neste sábado, dia 7 de março, às 10 da manhã, na Alameda Barão de Limeira, em frente ao prédio da Folha

Fonte: http://www.interney.net/blogs/inagaki/2009/03/06/ditabranda_e_o_escambau/



Vídeo: Gonzagunha - Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória [Letra: Parte 1 (Amanhã ou Depois) - Parte 2 (Achados e Perdidos) - Parte 3 (Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória)]


quinta-feira, 30 de junho de 2011

A ditadura realmente chegou ao seu fim ?

 

Garotinho acusa Cabral de ser 'arrogante' e 'ditatorial' com os bombeiros do Rio


"BRASÍLIA - Em discurso proferido no plenário da Câmara nesta quinta-feira, o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) criticou o tratamento dado pelo governador do Rio, Sérgio Cabral, aos bombeiros do estado que protestavam contra os baixos salários da categoria. Eles foram presos sob a acusação de motim, infração prevista para militares. O deputado destacou que os bombeiros do Rio "recebem o pior salário do país" e que os salvavidas não recebem do sequer protetor solar para trabalhar. Segundo Garotinho, o governador se comportou de forma "arrogante" e "ditatorial" ao se recusar a dialogar com os bombeiros.
- Hoje eu subo à tribuna desta Casa para falar sobre um assunto que vem causando indignação, que tem causado um sentimento de repulsa a todos os brasileiros pela forma cruel, covarde, desumana que o governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral vem tratando os bombeiros militares do Estado do Rio de Janeiro, que estão lutando não por um salário de marajá, mas por um salário digno - protestou Garotinho.
O deputado ainda disse que a situação dos bombeiros do Rio é resultado de uma série de erros cometidos por Cabral. Ele acusou o governador de ter extinto a Secretaria Estadual de Defesa Civil e, com isso, o Corpo de Bombeiros do Rio teria ficado subordinado à Secretaria de Saúde. Garotinho também disse que, quando era governador, a categoria recebia como piso três salários mínimos e meio, mas hoje eles recebem menos de dois salários mínimos de piso. O deputado chamou Cabral de "soberano, vaidoso, absolutista" e o desafiou:
- Seja humilde, governador! Recrie a Secretaria de Defesa Civil, dê um aumento antecipado aos bombeiros e policiais.
Garotinho também criticou a invasão do quartel onde estavam, "além dos bombeiros, crianças e as esposas dos bombeiros".
- Ele foi covarde e também irresponsável. Antes de invadir mesmo um presídio, onde estão bandidos armados com reféns, primeiro se corta a luz, depois se corta a água. Há todo um processo de negociação. O governador foi cruel! - disse, completando: - A soberba do governador Sérgio Cabral não lhe permite negociar com aquelas pessoas.
Outra crítica feita ao governador foi a de que ele teria desviado dinheiro público:
- Ah, não há dinheiro, mas para superfaturar a obra do Maracanã em 1 bilhão de reais há dinheiro! Lá serão realizadas sete partidas de futebol da Copa do Mundo. Um bilhão de reais! Basta dividir 1 bilhão de reais para se constatar que, com esse dinheiro, pagando o salário que o Rio de Janeiro paga aos bombeiros, daria para pagar os salários de 1 milhão de bombeiros.
Garotinho ainda aproveitou para se manifestar contra um suposto atentado que teria sofrido na última sexta-feira. Segundo contou, no caminho entre Cabo Frio e Campos, seu carro foi atingido por dois tiros. Ele disse que não sabe quem foi o autor dos disparos. Mas lembrou que, há mais de 40 dias, comunicou a presidente da Câmara, deputado Marco Maia, que estava sofrendo ameaças por parte de uma alta autoridade federal do governo passado, por estar investigando, na Comissão de Fiscalização e Controle, atos de corrupção da mesma pessoa.
- Lembro as palavras de um grande brasileiro, grande político com quem convivi durante 18 anos, chamado Leonel Brizola, que dizia: "Se tem boca de jacaré, tem rabo de jacaré, tem coro de jacaré, vai ser muito difícil que não seja jacaré" - ponderou."


Vídeo de complemento: Pitty - Quem Vai Queimar (Letra)

Prós e Contras: Globalização

Um encontro com Milton Santos:
‘’A partir de uma entrevista feita com o geógrafo Milton Santos em 4 de janeiro de 2001 é discutido o tema da globalização e seus efeitos nos países e cidades do planeta.’’ E por suas idéias e práticas, inspira o debate sobre a sociedade e a construção de um novo mundo.


Informações Técnicas
Título no Brasil:  Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá
Título Original:  Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá
País de Origem:  Brasil
Gênero:  Documentário
Tempo de Duração: 89 minutos
Ano de Lançamento:  2006
Estréia no Brasil: 17/08/2007
Site Oficial:  
Estúdio/Distrib.:  Caliban Produções
Direção:  
Silvio Tendler

A globalização vista por um geógrafo, exilado que retorna ao Brasil a caminho do reconhecimento.

‘’Centros urbanos modernos não destroem a experiência humana. O que a destrói é a civilização que adotamos. ’’ – Milton Santos

Qual o papel da igreja ?



Pedofilia e Igreja

"Como alguns devem saber (ou ao menos imaginar), a pedofilia é uma atrocidade que, diferentemente do que muitas pensavam, já ocorre por décadas dentre as “quatro paredes sagradas” da igreja (recuso-me a escrever igreja com “i” maiúsculo, não vejo motivos para isso). Certamente, como disse o Côn. José Roberto Silva, da Arquidiocese do Rio, a pedofilia não é algo “patognomônico” da igreja. Claro, o meu vizinho pode ser um pedófilo, seu primo distante pode ser um pedófilo, mas creio que nenhum deles (exceto aqueles que pregam “a palavra do homem-invisível”) considera-se o portador de mensagens divinas, o representante de um ser superior na terra, e aposto que nenhum deles utiliza desses artifícios para viver uma vida estrategicamente solitária, não no sentido de ausência de amigos ou quaisquer entes queridos, mas sim solitária de sentimentos inerentes aos humanos, como a libido, o prazer sexual, os “prazeres da carne”.

Agora, o que podemos pensar de uma pessoa como essa, – apta a preencher todos os critérios anteriores de “portador de mensagens divinas”, usuária de um poder ridiculamente concedido por outros que, como ele, pensam que através do domínio das grandes massa, o poder despejado nas veias da igreja aumentará em ritmo exponencial, permitindo um extermínio mental cada vez maior, e um saldo bancário idem – que utiliza então desse asqueroso poder para aproveitar-se de uma criança, de um corpo sem resistência, de uma mente incapaz de compreender ipsis literis o que está se passando naquele momento em que sua inviolabilidade é retirada com a mesma agressividade que se emprega para esfolar um animal abatido rumo ao açougue? Acho que monstro seria uma palavra muito branda, quase um elogio para um ser com esses atributos.

Aquele que traz as palavras do homem-invisível para você e para a sua família, pode, amanhã, ser o violentador/estuprador do seu filho(a)! Você consegue imaginar uma situação dessas sem despertar dentro de sua mente um sentimento de pura raiva, de impotência, de desespero encoberto por tristeza e revolta? Poderia apostar minha sanidade em que não, você não consegue!

Não são somente membros do clero que praticam pedofilia. Isso é óbvio. Mas o que me revolta é o fato de homens que deveriam expor suas pessoas como exemplos cometerem atrocidades como essa! Homens “de fé”, seguidores do homem-invisível, pregadores da moral e dos bons costumes, invadindo crianças com uma onda de asco, repugnância, transformando suas vidas recém-iniciadas em um inferno na terra (um living hell, como diriam os imperialistas norte-americanos). Consigo pensar nisso até onde minha razão deixe acompanhar, antes de me fazer desistir devido às imagens grotescas que dançam em minha mente, vultos de vidas que serão violentamente atormentadas ao longo de seus infelizes dias, dias os quais garanto que irão demorar uma pequena eternidade até cederem espaço para mais um período de tormentos, formando assim um ciclo ininterrupto de desespero.

Isso acontece, no seu cotidiano, mas você apenas não se dá conta. Será que com o pagamento de indenizações por parte da igreja a dor dessas pessoas poderá ser apagada? Não, com certeza não. E o Vaticano ainda exige discrição com os fatos! Isso nada mais é do que compartilhar um crime, corroborar com o ato de vandalismo emocional que atinge as vítimas, dar espaço para que novos crimes semelhantes aconteçam.

Um dos mandamentos consiste na frase “não matarás”. A pedofilia praticada pelos membros do clero nada mais é do que o assassinato de personalidades, o estrangulamento de emoções, o arder em brasas de vidas que recém conhecem os segredos do mundo.

Segredos assustadores, infelizmente. "
Vídeo associado: Apocalyptica featuring Corey Taylor - I'm Not Jesus (Letra/Tradução)


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Admirável ?



"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe." Oscar Wilde


"Será admirável o nosso novo mundo? A quem serve esta civilização que se diz moderna e funcional e, ao aparato das técnicas, sacrifica o espírito?... O espírito, considerado realidade menor, o espírito tolerado, quando não reprimido... Qual, o lugar do homem, numa sociedade dominada pela máquina? Qual, o caminho para o Indivíduo que reivindique a liberdade interior e o direito à sua... individualidade, à sua singularidade? Para o Indivíduo que queira caminhar pêlos próprios pés? Aldous Huxley, um dos maiores escritores contemporâneos, descreve, em "Admirável Mundo Novo", com fantasia e ironia implacável, a sociedade futura totalitarista. Simplesmente, o universo que o grande romancista inglês anima pertence, de certo modo, aos nossos dias. Quase já não pode considerar-se uma ameaça: tomou corpo. O que empresta à leitura desta obra uma força trágica invulgar. Mundo novo? Mundo intolerável? Mundo inabitável? Mundo de onde se deve fugir, de qualquer maneira? Ou, mundo a reconstruir- pedra por pedra? Com uma pureza reconquistada? Aldous Huxley deixa-lhe este montinho de problemas que o leitor poderá- se quiser e souber... - resolver..."

Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley | Texto Integral (não revisado) Editores Associados – LISBOA

Pitty - Admirável Chip Novo (2003) | Letra

Zé Ramalho - Admirável Gado Novo | Letra

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Marcha

"Tudo começou em Toronto, Canadá. Um policial dava uma palestra sobre segurança no campus de uma universidade, em determinado momento afirmou que as estudantes devem evitar se vestir como vagabundas para não serem vítimas de assédio sexual ou estupro. A partir daí mulheres em Toronto, e em vários outros países, começaram a marchar pelo direito de serem donas de seus próprios corpos em eventos que receberam o nome de Slutwalk.

We are tired of being oppressed by slut-shaming; of being judged by our sexuality and feeling unsafe as a result. Being in charge of our sexual lives should not mean that we are opening ourselves to an expectation of violence, regardless if we participate in sex for pleasure or work. No one should equate enjoying sex with attracting sexual assault. Site oficial da SlutWalk Toronto

Há muitas discussões em torno do assunto. Há quem considere que tentar ressignificar a palavra “vadia” ou “vagabunda” não vai funcionar, pois no Brasil ela é usada especialmente para criticar a liberdade sexual das mulheres. Porém, todas já fomos chamadas de vadias e vagabundas em algum momento, quando ousamos ser quem somos, fazer o que desejamos. Essa palavra está marcada em nossas histórias pessoais e até mesmo nas novelas.

Slutwalk em Boston. Foto de Nina Mashurova no Flickr, em CC.
Slutwalk em Boston. Foto de Nina Mashurova no Flickr, em CC.

Mas, o principal é: nada justifica um ato de violência sexual. Nenhuma mulher é estuprável. E é contra isso que precisamos lutar. É triste abrir matérias de jornal sobre a Slutwalk e ler coisas como: "A principal atração da marcha são as roupas provocantes, que fazem uma alusão ao estereótipo da prostituta". Nossas roupas não são a principal atração, não são só mulheres vestidas como vagabundas que são estupradas. Não é nem obrigatório ir com “roupa de vagabunda” à manifestação. O objetivo da Marcha é questionar o controle que existe sobre o corpo das mulheres e sobre nossa sexualidade. E, principalmente, questionar o fato de que as mulheres são culpadas por serem estupradas. Vivemos numa sociedade que nos ensina “não seja estuprada”, ao invés de “não estupre”. É isso que precisamos mudar.


Marchando com outras vadias ou não, o importante é repensar nossos paradigmas. Pensar em quantos homens podem andar sem camisa na rua, sem serem assediados. Em quantas mulheres foram violentadas sexualmente porque estavam bêbadas e foram culpadas por isso. Portanto, não chame a coleguinha de puta, não culpe apenas as mulheres nos casos de adultério, não acredite no discurso que nos condena a viver na dicotomia puta x santa. Somos várias e vamos muito além de fórmulas e estereótipos.


A Slutwalk terá sua primeira edição no Brasil neste fim de semana em São Paulo. Dia 04/06, mulheres e homens se reunirão na Av. Paulista, na Praça do Ciclista – entre a Consolação e a Rebouças – a partir das 14h. Deixo por fim alguns textos sobre o assunto que abrem ótimas discussões e nos fazem pensar sobre o machismo diário que nos veste com uma burca invisível.

[+] Por que ir à Slutwalk. A Marjorie Rodrigues explica porque você deve ir e quais são as principais posições contrárias.
[+] SlutWalk: marcha das vagabundas e o feminismo-gracinha. A Jeanne Callegari discute machismo, feminismo e a questão da prostituição dentro da ressignificações da Slutwalk.
[+] Slutwalk – A Marcha das Vadias. Nesse texto faço um panorama com diversas opiniões a favor e contra a Slutwalk."



 
Marcha das Vadias termina em protesto contra "CQCs" 
 
 
 Marcha das Vadias - Mulheres protestam na Avenida Paulista contra o machismo

Proteção ou Repressão ?

Documentário independente dos alunos da 9ª turma de Audiovisual do Centro Universitário Barão de Mauá - Ribeirão Preto.


Qual a guerra ?

(Imagem do filme Capitães de Areia)

Em um século XXI já um tanto gasto de ser chamado assim - visto que entre 2001 e 2011 houveram, e ainda há mudanças grandiosas demais para uma "simples" década - um dos assuntos mais recorrentes é a violência, a criminalidade, a busca por paz e segurança. Mas o que é a paz? O que é a guerra? Quais valores determinam uma "paz ruim" e uma "guerra boa" e qual das duas é a mais correta?
Caminhando para o desfecho das postagens, o Bootstrap dessa vez convida ao leitor à uma reflexão profunda sobre quem são os heróis e os vilões da atual sociedade.
Estamos sempre impreterivelmente amarrados à todas as coisas que compõem o nosso eu individual - nossa família, amigos, lugar em que nascemos, crescemos, vivemos e frequentamos, status social, bens materiais que possuímos e aqueles que almejamos, a educação que tivemos de nossos pais, sociedade e escola. Temos acessos a determinados recursos. Tudo isso molda o cristal que formará o prisma de nossa visão do mundo - quem vê, vê sempre de algum lugar, e pelo menos em minha opinião, é impossível ser completamente imparcial, visto que a cada vez que julgamos algo, todos os fatores determinantes acima citados estão em questão, e uma série de outros mais.
Assim, como podemos nós, julgar quem são os culpados e quem são as vítimas da atual "guerra civil" que vivemos todos os dias? Temos medo de sair de casa e... Sermos abordados por aqueles que passam fome? Por aqueles que tiveram sua infância, juventude, adolescência, sonhos, idéias e ideais corrompidos, frustrados, destruídos e reduzidos à pó? Temos medo daqueles que foram cruelmente jogados em sarjetas muito mais cruéis do que as reais em que habitam - a sarjeta do mundo, a sarjeta social, a sarjeta do importuno, indesejável e repudiado, a sarjeta daqueles que foram colocados à margem de qualquer "sociedade", de qualquer chance, de qualquer oportunidade. É a sarjeta daqueles que já nascem "predestinados" a não terem chance nem escolha, a sarjeta daqueles que aprendem que esse é o único modo, a única coisa que eles podem fazer para não morrer de fome. Talvez seja, talvez não.
Mas ainda assim, é necessário refletir sobre nosso papel nisso tudo, no quanto colaboramos para que isso mude, ou o quanto fechamos nossos olhos ou voltamos eles para os shoppings e a "vida limpa e boa", e fingimos muito bem que não existe nada além daquilo, enclausulados em nossa suposta tentativa de segurança, atrás de grades e cadeados que apenas nos deixam observar as paredes frias ao nosso redor. Possuímos olhos, mas será mesmo que "vemos"?


Referente ao assunto, assita agora o vídeoclip "O Que Sobrou do Céu" do cantor O Rappa

Qual a igualdade ?

Song Song e a Pequena Gatinha - John Woo
 
 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Qual a paz?


Num debate quando se pergunta o que é paz as respostas admitem várias posições e opiniões, contudo no ápice de qualquer debate sobre essa temática,  entra uma de suas variações - a Segurança – e sobre isso há uma concordância plena e absoluta de todas as partes – A falta dela faz com que nos amedrontemos cada dia mais.

Os paulistanos estão perdendo o hábito de andar pelas ruas, hoje o seguro é sair de casa e - táxi! shopping ou qualquer outro programa e –táxi! Isso quer dizer que muita gente se priva de andar pela cidade devido ao medo do perigo sempre próximo e tão presente.

A onipresença do medo na vida dos cidadãos principalmente das grandes cidades, faz com que tenham um papel de presidiário às avessas, visto que, quem vive em lugares delimitados, casa, trabalho e o mesmo e monótono programa de final de semana é o próprio cidadão quando se tranca com chaves, cadeados e  permanecem entre grades.  E ainda tem a petulância de chamar essa semi-cadeia de’’ Lar, doce lar’’.

Alguns mascaram esse medo, outros não vivem como deveriam por conta disso. Até quando? No âmbito da política a melhora da segurança é um dos temas mais prometidos dos candidatos, -além de maiores investimentos na área de educação e abatimento da taxa tributária- temas e promessas que até agora, se melhorou precisamos de uma Lupa de investigador profissional para enxergar. Governos vão e vem e o perigo nada mais é que um sujeito que mora ali perto, vizinho das nossas próprias grades.


"Em um ano de ocupação no Iraque, morreram 1 000 soldados americanos. No mesmo período, 5 000 pessoas foram assassinadas em São Paulo. Quer dizer, é mais seguro andar fantasiado de soldado americano em Bagdá do que andar em São Paulo."
Paulo Maluf – ex -prefeito de São Paulo

http://www.youtube.com/watch?v=vF1Ad3hrdzY

Amélias ?

Imagem: Recorte em:  http://shaidehalim.blogspot.com/

"De maneira bem simplista, pode-se dizer que a mulher Amélia era criada para servir aos homens de sua vida: ao pai, ao irmão, ao marido, aos filhos. Depois de queimar muito sutiã, a mulher passou de serva dos homens a escrava das aparências.
Tornou-se um belo produto disponível no mercado. As inteligentes se vendem pelo Q.I., as bonitas apostam no corpão.
Mas a relação não se limita a isso, evidentemente. As mulheres batalharam e conquistaram espaço na sociedade. São profissionais, esposas, amantes, mães, ativistas, conselheiras, pagam as contas pro marido, fazem topless na praia. Hoje, mulheres e homens agem de igual pra igual quando se deparam com questões como divórcio, traição, ciúmes e solidão. Curtir a vida adoidado? Transar sem compromisso? Beber com os amigos? Direitos de todos.
As mulheres querem ser cada vez mais parecidas com os homens. Mas a verdade é que a sociedade é que está a cada dia que passa mais individualista. Não falta homem ou mulher no mercado. Falta comunicação.
(...) Pra mim, Amélia é aquela que agrada a todos menos a ela mesma. Ela é submissa por covardia, medo ou comodismo mesmo. Hoje, a Amélia é moderna por fora, mas extremamente insegura por dentro. Põe silicone e faz lipo, mas é a sombra do homem."

Marcia Batista - Saudades da Amélia?


"Invoquei em escrever uma letra sobre um assunto- investigação-curiosidade: como seria a Amélia do século XXI ? Depois de queimar o sutiã , obter direito ao voto e passar a exercer cargos de comando em poderosas empresas, como sentem-se hoje as mulheres? Aliviadas por terem mais autonomia ou sobrecarregadas porque além dos afazeres domésticos acumulam a função de sustentar uma casa? Pesquisei , e não pude deixar de (re) ler O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir; obra esta que me ajudou a clarear os pensamentos e a trazer para a música a  seguinte frase: “Já não quer ser o Outro, hoje ela é Um também.”  A Amélia de Ataulfo e Mario Lago mudou. Aquela que “era mulher de verdade e que não tinha a menor vaidade” hoje se desdobra entre a delicadeza de saber preparar uma refeição e a garra de acordar cedo pra ir trabalhar e tomar decisões. E, claro, se por acaso der pra fazer as unhas no intervalo do almoço, melhor ainda." 

Pitty (falando a respeito da criação de sua música, Desconstruindo Amélia)


"Sempre olhei torto pros livros de auto-ajuda. Até acredito que alguns sirvam de verdade pras pessoas se tornarem mais felizes, se entenderem, se aceitarem, cê sabe, essa coisa toda. O fato é que muitos dos que eu folheei - e até li - me deixaram uma péssima impressão. Parece coisa pra você se tornar uma pessoa melhor. Pros outros.
Torça o nariz ainda não! Claro que é bom que alguém queira se tornar mais sociável e, por consequência, mais querido. Mas pelamordedeus, não - pelo menos eu acho que não - às custas de coisas em que você acredita ou que te fazem interessante.
Mulher, então, lendo sobre "poder feminino" é coisa de assustar. Tem um livro super em alta, o tal do "Por que os homens amam mulheres poderosas". Não li o livro, não posso falar sobre ele, só posso falar sobre uma possível má-intenção da leitora: já ouvi mulher comentar que ia ler pra deixar de ser submissa e ficar mais conquistadora. Sério mesmo que você quer deixar de se dobrar à vontade dos homens? Aí resolveu que uma boa forma de começar é tentar agir de forma diferente só porque eles vão gostar mais? Ôpa, poderosona, einh!
Faça-me o favor... Amélia era muito mais digna na sua ausência de vaidade e submissão assumida que a falsa-independente que faz tudo o que diz que gosta - mas olhando de rabo-de-olho pra saber se tem algum homem reparando.
Bora combinar? Livro assim não devia se chamar livro de auto-ajuda, devia se chamar livro-de-ajuda-às-pessoas-que-você-quer-agradar. Um ou outro livro pode se salvar desse monte. Ainda assim, muito desconfio.
Até porque, fala sério. Um livro que fala sobre amor-próprio não devia acabar te convencendo de que você, seus planos e sua forma de ver o mundo são uma droga."
 
Elaine - Auto Atrapalha



Para complementar a discussão, ouça e compare as duas músicas seguintes:



Ai! Que saudades da Amélia - Ataulfo Alves e Mário Lago (1942) - Letra



Desconstruindo Amélia - Pitty (2009) - Letra
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REPRESENTAÇÕES DE GÊNERO SOCIAL NA MÍDIA - Maria Inês GHILARDI-LUCENA - PUC-Campinas - PARTE V


Entretanto, nosso olhar sobre a questão do gênero não pode ser ingênuo a ponto de não perceber que, diferentemente da do sexo, é, com certeza, uma questão da forma como cada um de nós se identifica. Ou seja, no fim das contas, o que está em jogo é a questão de identidade, ou melhor, aquilo que se convencionou chamar de ‘política de identidade’. Em se tratando de ato eminentemente político, é preciso verificar não só as expectativas de cada sociedade em relação aos seus membros e as forças coercitivas que imperam em cada cultura, mas também as forças de resistência que são mobilizadas por diferentes grupos e o grau de sucesso que grupos marginalizados têm em seu esforço de auto-afirmação e luta pelo espaço justo (Rajagopalan, apud FERREIRA, 2002, p. 16).

A divisão de papéis sociais entre os gêneros é, ainda hoje, bastante acentuada e, com relação à construção da identidade do sujeito, é claro que, para as camadas da sociedade que leem os textos midiáticos, as representações de gênero são fortemente marcadas, sugerindo normas de comportamento “adequadas” aos homens e mulheres modernos. Aos poucos, as outras camadas da população também adquirem os hábitos já assimilados por aqueles que incorporaram as novidades do mundo moderno. Entretanto, o comportamento dos grupos não é homogêneo e as questões de gênero estão se tornando mais complexas e multifacetadas.
As identidades não estão impressas em nossos genes, mas “pensamos nelas como se fossem parte de nossa natureza essencial” (Hall, 2005, p.47) e elas são “formadas e transformadas no interior da representação” (p.48).
Ressaltamos que a masculinidade revela-se não somente nos homens, como em mulheres, da mesma forma que a feminilidade não é exclusividade das mulheres, pois caracteriza – hoje e em tempos antigos –, também, homens, em maior ou menor grau. A associação homem-masculino e mulher-feminino, no entanto, se faz, quase diretamente, por questões biológicas e culturais, compondo o imaginário coletivo. As discussões que surgem nas análises da produção midiática trazem à tona justamente novas formas em que tal correspondência está se deslocando, na atualidade. Algo está mudando nas relações cristalizadas na mente dos indivíduos, revelando novas possibilidades de aceitação de tais relações. O comportamento de homens e mulheres está se modificando, provocando conflitos e insegurança como é próprio de toda nova ordem. É indiscutível que os papéis sociais de homens e mulheres estão se alterando e o século XXI mostrará atitudes e comportamentos bem diferentes daqueles dos séculos passados. As interrogações sobre o que é ser masculino ou feminino, ser homem ou mulher terão respostas diferentes – se não divergentes – das que propomos agora. Importa debater, refletir sobre o que ocorre à nossa volta, para nos conhecermos melhor, sermos felizes e convivermos bem em sociedade.
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