terça-feira, 14 de junho de 2011

REPRESENTAÇÕES DE GÊNERO SOCIAL NA MÍDIA - Maria Inês GHILARDI-LUCENA - PUC-Campinas - PARTE V


Entretanto, nosso olhar sobre a questão do gênero não pode ser ingênuo a ponto de não perceber que, diferentemente da do sexo, é, com certeza, uma questão da forma como cada um de nós se identifica. Ou seja, no fim das contas, o que está em jogo é a questão de identidade, ou melhor, aquilo que se convencionou chamar de ‘política de identidade’. Em se tratando de ato eminentemente político, é preciso verificar não só as expectativas de cada sociedade em relação aos seus membros e as forças coercitivas que imperam em cada cultura, mas também as forças de resistência que são mobilizadas por diferentes grupos e o grau de sucesso que grupos marginalizados têm em seu esforço de auto-afirmação e luta pelo espaço justo (Rajagopalan, apud FERREIRA, 2002, p. 16).

A divisão de papéis sociais entre os gêneros é, ainda hoje, bastante acentuada e, com relação à construção da identidade do sujeito, é claro que, para as camadas da sociedade que leem os textos midiáticos, as representações de gênero são fortemente marcadas, sugerindo normas de comportamento “adequadas” aos homens e mulheres modernos. Aos poucos, as outras camadas da população também adquirem os hábitos já assimilados por aqueles que incorporaram as novidades do mundo moderno. Entretanto, o comportamento dos grupos não é homogêneo e as questões de gênero estão se tornando mais complexas e multifacetadas.
As identidades não estão impressas em nossos genes, mas “pensamos nelas como se fossem parte de nossa natureza essencial” (Hall, 2005, p.47) e elas são “formadas e transformadas no interior da representação” (p.48).
Ressaltamos que a masculinidade revela-se não somente nos homens, como em mulheres, da mesma forma que a feminilidade não é exclusividade das mulheres, pois caracteriza – hoje e em tempos antigos –, também, homens, em maior ou menor grau. A associação homem-masculino e mulher-feminino, no entanto, se faz, quase diretamente, por questões biológicas e culturais, compondo o imaginário coletivo. As discussões que surgem nas análises da produção midiática trazem à tona justamente novas formas em que tal correspondência está se deslocando, na atualidade. Algo está mudando nas relações cristalizadas na mente dos indivíduos, revelando novas possibilidades de aceitação de tais relações. O comportamento de homens e mulheres está se modificando, provocando conflitos e insegurança como é próprio de toda nova ordem. É indiscutível que os papéis sociais de homens e mulheres estão se alterando e o século XXI mostrará atitudes e comportamentos bem diferentes daqueles dos séculos passados. As interrogações sobre o que é ser masculino ou feminino, ser homem ou mulher terão respostas diferentes – se não divergentes – das que propomos agora. Importa debater, refletir sobre o que ocorre à nossa volta, para nos conhecermos melhor, sermos felizes e convivermos bem em sociedade.

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