Imagem: Recorte em: http://shaidehalim.blogspot.com/
"De maneira bem simplista, pode-se dizer que a mulher Amélia era criada para servir aos homens de sua vida: ao pai, ao irmão, ao marido, aos filhos. Depois de queimar muito sutiã, a mulher passou de serva dos homens a escrava das aparências.
Tornou-se um belo produto disponível no mercado. As inteligentes se vendem pelo Q.I., as bonitas apostam no corpão.
Mas a relação não se limita a isso, evidentemente. As mulheres batalharam e conquistaram espaço na sociedade. São profissionais, esposas, amantes, mães, ativistas, conselheiras, pagam as contas pro marido, fazem topless na praia. Hoje, mulheres e homens agem de igual pra igual quando se deparam com questões como divórcio, traição, ciúmes e solidão. Curtir a vida adoidado? Transar sem compromisso? Beber com os amigos? Direitos de todos.
As mulheres querem ser cada vez mais parecidas com os homens. Mas a verdade é que a sociedade é que está a cada dia que passa mais individualista. Não falta homem ou mulher no mercado. Falta comunicação.
(...) Pra mim, Amélia é aquela que agrada a todos menos a ela mesma. Ela é submissa por covardia, medo ou comodismo mesmo. Hoje, a Amélia é moderna por fora, mas extremamente insegura por dentro. Põe silicone e faz lipo, mas é a sombra do homem."
Marcia Batista - Saudades da Amélia?
"Invoquei em escrever uma letra sobre um assunto- investigação-curiosidade: como seria a Amélia do século XXI ? Depois de queimar o sutiã , obter direito ao voto e passar a exercer cargos de comando em poderosas empresas, como sentem-se hoje as mulheres? Aliviadas por terem mais autonomia ou sobrecarregadas porque além dos afazeres domésticos acumulam a função de sustentar uma casa? Pesquisei , e não pude deixar de (re) ler O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir; obra esta que me ajudou a clarear os pensamentos e a trazer para a música a seguinte frase: “Já não quer ser o Outro, hoje ela é Um também.” A Amélia de Ataulfo e Mario Lago mudou. Aquela que “era mulher de verdade e que não tinha a menor vaidade” hoje se desdobra entre a delicadeza de saber preparar uma refeição e a garra de acordar cedo pra ir trabalhar e tomar decisões. E, claro, se por acaso der pra fazer as unhas no intervalo do almoço, melhor ainda."
Pitty (falando a respeito da criação de sua música, Desconstruindo Amélia)
"Sempre olhei torto pros livros de auto-ajuda. Até acredito que alguns sirvam de verdade pras pessoas se tornarem mais felizes, se entenderem, se aceitarem, cê sabe, essa coisa toda. O fato é que muitos dos que eu folheei - e até li - me deixaram uma péssima impressão. Parece coisa pra você se tornar uma pessoa melhor. Pros outros.
Torça o nariz ainda não! Claro que é bom que alguém queira se tornar mais sociável e, por consequência, mais querido. Mas pelamordedeus, não - pelo menos eu acho que não - às custas de coisas em que você acredita ou que te fazem interessante.
Mulher, então, lendo sobre "poder feminino" é coisa de assustar. Tem um livro super em alta, o tal do "Por que os homens amam mulheres poderosas". Não li o livro, não posso falar sobre ele, só posso falar sobre uma possível má-intenção da leitora: já ouvi mulher comentar que ia ler pra deixar de ser submissa e ficar mais conquistadora. Sério mesmo que você quer deixar de se dobrar à vontade dos homens? Aí resolveu que uma boa forma de começar é tentar agir de forma diferente só porque eles vão gostar mais? Ôpa, poderosona, einh!
Faça-me o favor... Amélia era muito mais digna na sua ausência de vaidade e submissão assumida que a falsa-independente que faz tudo o que diz que gosta - mas olhando de rabo-de-olho pra saber se tem algum homem reparando.
Bora combinar? Livro assim não devia se chamar livro de auto-ajuda, devia se chamar livro-de-ajuda-às-pessoas-que- você-quer-agradar. Um ou outro livro pode se salvar desse monte. Ainda assim, muito desconfio.
Até porque, fala sério. Um livro que fala sobre amor-próprio não devia acabar te convencendo de que você, seus planos e sua forma de ver o mundo são uma droga."
Elaine - Auto Atrapalha
Para complementar a discussão, ouça e compare as duas músicas seguintes:

Pensando no que disse Paulo Maluf citado acima, certamente nesse ano em que morreram 1000 soldados norte-americanos, uma quantidade enorme de iraquianos, crianças inclusive, morreu, dos modos mais sórdidos que se pode imaginar: mutiladas por bombas, por fome, falta de cloro na água, falta de água... Boa parte dessas pessoas nem entrou nas estatísticas oficiais, nem serve de termo de comparação a quem faz uma compração como essa - sem critério algum. Os discursos sobre o que é segurança são os primeiros a impor medo: muitos deles fazem crer, por exemplo, que a segurança é alguma coisa autônoma, descolada de outras questões, que a rota na rua, a revista de pessoas suspietas e a repressão a grupos pobres é um modo de deixar o cidadão seguro - mas quem é o cidadão nesse caso? Não os pobres, não os revistados, não os iraquianos... A pensar.
ResponderExcluirA mulher TALVEZ deixará de ser Amelia quando parar de falar em homem e mulher como coisas sempre distintas... porque não citamos simplesmente pessoas???
ResponderExcluirSimplesmente igualdade. Se a tampa da privada pode ser abaixada, por que então, não pode ser levantada?